Veneza corre o risco de enfrentar deslocamento parcial ou total diante da elevação do nível do mar, aponta estudo publicado na Scientific Reports. A pesquisa utiliza projeções do IPCC para avaliar estratégias de adaptação da cidade italiana, Patrimônio Mundial da UNESCO.
Os resultados indicam que nenhuma medida atual garante a proteção a longo prazo da estrutura urbana e do patrimônio de Veneza. O alerta surge em meio a aumentos de inundações nos últimos 150 anos, intensificados pela crise climática.
A cidade, situada numa lagoa rasa, já vivencia enchentes severas. Em 2019, evento de grande intensidade causou mortes e danos financeiros significativos, atingindo até a Basílica de São Marcos.
Caminhos para o futuro
O estudo detalha três cenários. O primeiro prevê diques costeiros caso o nível do mar suba mais de 0,5 metro, com custos entre € 500 milhões e € 4,5 bilhões. O valor convertido fica entre R$ 2,7 bilhões e R$ 24 bilhões.
A segunda opção envolve um “superdique” para fechar a lagoa, protegido Veneza mesmo com altas elevações. Nesse caso, estima-se acima de € 30 bilhões, com impactos ao ecossistema local.
A terceira alternativa é a realocação da cidade caso o nível do mar exceda 4,5 metros, com custos estimados em até € 100 bilhões e mudança de moradores e de patrimônio histórico.
> O estudo ressalta que não existe estratégia perfeita para Veneza, ressaltando a necessidade de equilibrar segurança, economia, ambiente e cultura.
Custos, impactos e decisões
Além da água, o afundamento do solo acontece a cerca de 1 milímetro por ano, agravando as ameaças. A extração de água subterrânea, antiga prática, já foi proibida, o que não elimina o desafio.
Especialistas destacam que a adaptação de regiões de baixa altitude é um fenômeno global. Países baixos e as Maldivas enfrentam dilemas semelhantes, exigindo decisões rápidas com base em evidências científicas.
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