Um painel científico global foi lançado para acelerar a transição energética, reunindo mais de 50 países, governos subnacionais e cerca de 2.800 representantes da sociedade civil. O objetivo é reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão até 2050. A apresentação ocorreu durante a conferência climática realizada em Santa Marta, na Colômbia.
O grupo é formado por cientistas, economistas e técnicos. A função é orientar governos na construção de estratégias para enfrentar riscos associados ao modelo fóssil, como volatilidade de preços, tensões geopolíticas e eventos climáticos extremos.
A iniciativa surge em meio a pressionar metas climáticas e marca o início da primeira conferência global dedicada exclusivamente à transição energética. Os anfitriões colombianos e holandeses apoiam a proposta, acordada por Johan Rockström e Carlos Nobre, respectivamente do Potsdam Institute e da Universidade de São Paulo.
Painel mira trajetória compatível com 1,5°C
O painel pretende estabelecer metas nacionais e setoriais para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, alinhadas ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C até o fim do século. A coordenação ficará a cargo de nomes relevantes da agenda climática.
Gilberto M. Jannuzzi, professor da Unicamp, integra a equipe de coordenação. A economista Vera Songwe e o alemão Ottmar Edenhofer também participam do grupo.
> A viabilidade técnica existe, mas é essencial disseminar informações e assegurar o financiamento, conforme avaliação de Jannuzzi.
Desafios e impactos econômicos
Entre os países presentes estão grandes produtores de combustíveis fósseis, como Brasil, México, Nigéria e Angola. A Colômbia destacou um plano de transição que já depende de parte significativa da receita de combustíveis fósseis.
O documento indica que a redução de até 90% no uso de petróleo, gás e carvão até 2050 pode conservar a demanda por energia e gerar benefícios econômicos de cerca de US$ 280 bilhões em 24 anos.
Apesar dos altos investimentos iniciais, projeta-se que a economia colombiana passe a ter ganhos líquidos a partir da década de 2040. O painel deve indicar, ano a ano, os próximos passos para a transição.
A implementação dependerá de financiamento, fortalecimento institucional e superação de resistências políticas. Piers Forster, da Universidade de Leeds, ressaltou a necessidade de construção de capacidade institucional pelos países.
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