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IA pode prejudicar crianças mais que redes sociais, alerta ex-chefe do Google

Tom Siegel defende desacelerar novos recursos de inteligência artificial e ampliar medidas de proteção para menores

Ex- chefe de segurança do Google alerta que a IA pode prejudicar as crianças mais do que as redes sociais.
Ex- chefe de segurança do Google alerta que a IA pode prejudicar as crianças mais do que as redes sociais. | Agência Gov | Via MDHC

Empresas de redes sociais estão pagando quantias enormes e enfrentando milhares de processos judiciais por alegações de que prejudicaram usuários jovens, enquanto governos ao redor do mundo trabalham para restringir o acesso de menores às suas plataformas.

Em meio a esse cenário, o ex-vice-presidente de confiança e segurança do Google, Tom Siegel, alertou que a inteligência artificial pode causar danos às crianças ainda maiores que os associados às redes.

Em entrevista à Reuters, Siegel afirmou que há evidências de impactos negativos da IA sobre crianças e outros grupos vulneráveis. Para ele, as empresas não conseguirão resolver os problemas de segurança sozinhas e precisam de ajuda externa.

“Não estou dizendo que tudo o que a IA faz é ruim, não sou uma dessas pessoas que preveem o apocalipse, mas há evidências confiáveis ​​de que nem tudo o que a IA faz tem um impacto positivo líquido sobre as pessoas”, afirmou.

Siegel defendeu que as empresas desacelerem o desenvolvimento e a implementação de novos recursos enquanto os efeitos sobre crianças ainda não são suficientemente compreendidos. Ele também avaliou que as atuais medidas de proteção são frágeis ou pouco compreendidas.

O especialista citou riscos que vão de suicídio e psicose à sobrecarga cognitiva, que pode ocorrer quando há dependência excessiva da IA para responder perguntas e realizar tarefas.

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Siegel deixou o Google em 2019 e, antes de assumir um novo cargo na Common Sense Media, foi cofundador da TrustLab, empresa voltada a ferramentas de segurança digital.

Nesta terça-feira (22), Siegel anunciou que se juntou à Common Sense Media, organização sem fins lucrativos voltada à proteção de crianças na internet. Fundada em 2003, a entidade lançou em maio o Youth AI Safety Institute, dedicado a pesquisar os impactos da inteligência artificial sobre crianças, do qual Siegel será o primeiro diretor-executivo. Anthropic e OpenAI Foundation estão entre os apoiadores do instituto.

Siegel afirmou que pretende desenvolver padrões para responsabilizar empresas de IA, em parceria com as próprias companhias e grupos independentes.

Questionado sobre os comentários de Siegel, um porta-voz do Google disse que os pais têm opções para desativar completamente o acesso de seus filhos ao mecanismo de busca. 

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* Com informações da agência de Notícias Reuters.

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