O Starship, foguete de nova geração da SpaceX, chegou à órbita pela primeira vez e liberou seu lote inaugural de novos satélites Starlink, mesmo com um motor desligado de forma inesperada durante o voo. Lançada nesta segunda-feira (28), no Texas, a missão precisou ser encurtada por causa da falha técnica e terminou horas antes do planejado.
Previsto para durar dez horas, o voo acabou limitado a três. Esta foi a 14ª decolagem do Starship desde 2023, e a empresa de Elon Musk pretende tornar o uso do foguete rotineiro a partir do fim deste ano.
SpaceX realiza 14º voo teste da Starship nesta segunda-feira; assista
Nesta segunda, os papéis da SpaceX recuaram cerca de 1%. As ações haviam acumulado alta de quase 9% em relação ao preço da oferta inicial.
Avaliada em US$ 2 trilhões no fechamento de sexta-feira (25), a companhia depende em grande parte do êxito do Starship para sustentar seu valor de mercado e a confiança dos investidores. O veículo foi concebido para ser a primeira nave totalmente reutilizável do mundo.
O conjunto não tripulado de 40 andares de altura é formado pelo propulsor Super Heavy, que leva no topo a nave Starship, estágio superior principal. A decolagem ocorreu na plataforma do complexo Starbase, da SpaceX, às margens do Golfo do México, perto de Brownsville.
O propulsor Super Heavy lançou o estágio superior da Starship ao espaço antes de retornar às águas do Golfo do México para um pouso controlado pelos motores, após pousos bruscos do propulsor em duas missões anteriores. Alguns motores desse propulsor pararam de funcionar durante a descida, informou a SpaceX.
Ao chegar ao espaço, um dos três motores principais da Starship desligou prematuramente, um acontecimento que levou o porta-voz da SpaceX, Dan Huot, a anunciar na transmissão ao vivo da missão da empresa que a espaçonave não conseguiria atingir a órbita.
“A equipe decidiu não se comprometer com a ida à órbita”, disse Huot.
Mas Huot mudou de ideia minutos depois, após uma atualização dos engenheiros confirmar que a espaçonave ainda poderia tentar uma ignição do motor que a impulsionaria para a órbita, o que a Starship fez com sucesso minutos depois.
A descida controlada da Starship no Pacífico culminou com uma manobra de propulsores que inverteu a nave verticalmente, fazendo com que ela atingisse o mar com a proa para cima. O fogo consumiu a base do foguete ao tocar a superfície do oceano antes de tombar para o lado, seguido por uma grande bola de fogo. A empresa não havia planejado recuperar a espaçonave do mar após a missão.
Uma vez em órbita, a Starship implantou 26 satélites Starlink de última geração, um a um, a uma altitude de aproximadamente 269 km.
“Todos os 26 satélites operacionais Starlink V3 foram implantados e estão funcionando normalmente”, escreveu Musk no X.
A Starship foi construída para lançar os satélites Starlink da SpaceX com mais frequência e transportar futuras missões da Nasa à Lua. Atingir a órbita, um marco fundamental para qualquer novo foguete projetado para enviar cargas úteis ao espaço, foi uma conquista há muito adiada para a Starship, que Musk uma vez previu que seria alcançada em 2022, seguida pelo implante de satélites em 2023.
Todos os 13 voos de teste anteriores da Starship desde 2023 foram limitados ao espaço suborbital, apesar de uma campanha de desenvolvimento de quase uma década que custou à SpaceX mais de US$ 15 bilhões até o momento. Musk afirmou que prevê, futuramente, realizar centenas ou milhares de missões da Starship por ano, um ritmo de lançamento sem precedentes na indústria espacial.
“A Starship estará a 2 ou 3 anos de distância de realizar voos de hora em hora”, escreveu Musk no X no domingo.
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Missão de teste com carga real
A viagem de segunda-feira foi considerada um voo de teste, embora a Starship transportasse sua primeira carga útil orbital.
Analistas estimam que o lançamento dos novos satélites V3 Starlink da SpaceX na segunda-feira represente centenas de milhões de dólares em receita projetada para sua unidade Starlink, com base na capacidade adicional de clientes da rede — ressaltando o papel da Starship no atendimento ao núcleo de lucro da empresa.
Segundo a SpaceX, os satélites Starlink V3, implantados nesta segunda-feira, podem lidar com dez vezes mais dados do que seus antecessores, os minissatélites V2, que a empresa lançava em lotes de 20 ou 30 por vez em seus foguetes Falcon 9. Buscando expandir sua constelação de satélites de banda larga em um ritmo mais acelerado, Musk pretende lançar os V3 em lotes de 60 por lançamento, assim que a Starship entrar em operação rotineira.
A estreia orbital da Starship ocorreu três meses depois de a SpaceX ter aberto seu capital com uma Oferta Pública Inicial recorde em junho, que a tornou a sexta maior empresa dos EUA em valor de mercado e transformou Musk, que a fundou em 2002, no primeiro trilionário do mundo.
A Starship também desempenhará um papel fundamental no programa Artemis da Nasa, que visa levar astronautas de volta à superfície da Lua pela primeira vez desde 1972 e construir uma presença lunar de longo prazo como um passo importante para a eventual exploração humana de Marte.
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