Héctor Abad Faciolince lançou seu novo livro, “Ahora y en la hora”, na Feria Internacional del Libro de Bogotá. A obra é inspirada na escritora ucraniana Victoria Amelina, que morreu em um ataque russo em Kramatorsk. O autor compartilhou sua experiência emocional e a culpa de sobreviver ao ataque.
Durante a apresentação, Abad Faciolince, de sessenta e seis anos, descreveu a tragédia que ocorreu quando um misil atingiu a pizzeria onde ele e Amelina estavam. A explosão deixou treze mortos e sessenta e dois feridos. Ele expressou a culpa de sobreviver em meio a tanta dor e perda. “Um velho, que estava meio harto de a vida, se sente culpável de sobreviver em essas circunstâncias”, afirmou.
O autor destacou a importância da defesa da Ucrânia, que considera uma causa justa. Em meados de 2023, ele viajou a Kiev para apresentar a tradução ucraniana de sua obra anterior, “El olvido que seremos”, e participar de uma campanha de solidariedade. Durante a viagem, Abad Faciolince e seus companheiros testemunharam os horrores do conflito, incluindo ruínas de escolas e hospitais.
Reflexões sobre a Guerra
Abad Faciolince relatou que o livro é um testemunho de sua solidariedade com a Ucrânia e uma reflexão sobre a morte. Ele mencionou que, embora não tenha culpa pela morte de Amelina, sentiu-se responsável por dar voz a quem a perdeu. “Victoria é uma vítima evidente da luta por liberdade de expressão e democracia”, destacou.
O autor também recordou o momento da explosão, descrevendo a sensação de desorientação e o impacto emocional que teve. “Senti como se o inferno estivesse brotando do fundo da terra”, escreveu. Amelina faleceu dias depois em um hospital, deixando um legado de luta pela liberdade.
A apresentação do livro foi marcada por uma forte carga emocional. O escritor Ricardo Silva Romero elogiou a obra, chamando-a de “o livro mais corajoso e amoroso” que leu em muito tempo. Abad Faciolince, por sua vez, expressou sua obsessão pela morte e pela culpa que o acompanha, refletindo sobre as vidas perdidas no conflito.
Entre na conversa da comunidade