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Data centers consomem energia excessiva e afetam Porto de Marselha

Marseille prioriza data centers em detrimento da eletrificação dos cruzeiros, gerando preocupações sobre o consumo energético e o meio ambiente

Os três data centers operados pela Digital Realty no porto de Marselha. (Foto: Claire Gaby)
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Desafios Energéticos em Marseille

Marseille enfrenta um dilema energético crescente, com a eletrificação dos cruzeiros adiada para 2029. A prioridade dos data centers, que consomem energia excessiva, levanta preocupações sobre a capacidade elétrica da cidade.

No terminal de cruzeiros, quatro grandes navios estão atracados, enquanto os moradores do bairro Saint-André lidam com o barulho constante dos motores. A proposta da prefeitura é conectar os cruzeiros à rede elétrica, permitindo que desliguem os motores enquanto operam. No entanto, a disponibilidade de energia é incerta, pois os data centers têm prioridade no fornecimento.

Sébastien Barles, vice-prefeito de Marseille, destaca que os data centers consomem 77 MW de energia, o que equivale ao consumo de 200 mil habitantes. Com a construção de um novo centro, essa demanda pode alcançar a capacidade total necessária para a eletrificação dos cruzeiros, estimada entre 100 a 120 MW. Barles critica a situação, afirmando que os data centers têm apenas efeitos negativos sobre a população local.

Crescimento e Impacto Ambiental

A cidade, que se tornou um hub de dados, abriga quatro centros operados pela Digital Realty, que atendem grandes empresas como Google e Disney+. A localização estratégica de Marseille, com 17 cabos submarinos conectando-a à Europa, favorece esse crescimento. No entanto, a instalação desses centros levanta questões sobre o impacto ambiental e o uso de recursos.

Ativistas locais, como os do coletivo *Le nuage était sous nos pieds*, alertam sobre os vazamentos de gases fluorados e o consumo excessivo de energia. Eles argumentam que a cidade, que produz apenas 16% de suas necessidades energéticas, não pode sustentar a demanda crescente dos data centers.

A situação se agrava com a crise energética de 2022, que evidenciou a vulnerabilidade do sistema elétrico. Barles ressalta que, durante a crise, os cortes de energia planejados não incluíram os data centers, levantando questões sobre as prioridades da sociedade em relação ao consumo de energia e ao desenvolvimento sustentável.

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