Os Estados Unidos enfrentam um momento crítico em sua política de vacinação infantil. Na próxima semana, um novo painel de vacinas, liderado por Robert F. Kennedy Jr., se reunirá para discutir a utilização de vacinas contra COVID-19, hepatite B e outras doenças. Essa reunião é a segunda desde que Kennedy demitiu abruptamente todos os 17 membros anteriores do comitê, levantando preocupações entre especialistas em saúde pública.
A composição do novo painel é alarmante, já que vários membros expressaram opiniões anti-vacinas. Andrew Pavia, da Infectious Diseases Society of America, manifestou preocupação com a possibilidade de o comitê restringir vacinas com eficácia comprovada. Na última reunião, o painel decidiu eliminar o conservante thimerosal das vacinas contra a gripe, mesmo com evidências de sua segurança.
Mudanças nas Recomendações de Vacinação
O Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP) deve discutir a autorização de vacinas COVID-19, que agora são limitadas a pessoas acima de 65 anos e a grupos de alto risco. Essa decisão da FDA, anunciada em agosto, foi considerada “profundamente preocupante” pela American Academy of Pediatrics (AAP), que recomenda a vacinação de todas as crianças a partir de seis meses.
Dados recentes indicam que as vacinas mRNA contra COVID-19 mostraram eficácia entre 46% e 70% na prevenção de emergências relacionadas à doença em crianças de seis meses a cinco anos. Além disso, não foram observadas preocupações de segurança nesse grupo etário.
Hepatite B e Vacinação Infantil
A discussão sobre a vacina contra hepatite B também está em pauta. Alguns defensores da redução da vacinação sugerem que a imunização de recém-nascidos seja restrita a indivíduos com comportamentos de alto risco. Essa proposta é problemática, já que a maioria dos casos de hepatite B é transmitida de mãe para filho. A AAP alerta que bebês infectados têm 90% de chance de desenvolver doenças crônicas.
Desde que a vacina contra hepatite B foi recomendada para recém-nascidos nos anos 1990, os casos da doença diminuíram significativamente. Especialistas enfatizam que vacinar precocemente é crucial para prevenir complicações graves associadas ao vírus.
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