Cientistas se reúnem em Manchester para discutir os riscos e benefícios da pesquisa em células sintéticas de imagem espelhada, conhecidas como “mirror life”. O encontro, que ocorre esta semana, visa avaliar a necessidade de restrições nessa área emergente.
Pesquisadores têm explorado a biologia de moléculas quiral, como DNA e aminoácidos, que podem ter aplicações terapêuticas. Estudos recentes indicam que moléculas de imagem espelhada podem resistir à degradação no corpo, tornando-se potenciais candidatos a medicamentos. Em 2017, a FDA aprovou etelcalcetide, um peptídeo com aminoácidos MI, para tratar doenças renais crônicas.
Entretanto, a criação de células sintéticas de imagem espelhada levanta preocupações significativas. Cientistas alertam que essas células poderiam proliferar descontroladamente, representando riscos à saúde humana e ao meio ambiente. John Glass, do J. Craig Venter Institute, afirma que “praticamente todos concordam” que células de imagem espelhada seriam prejudiciais.
A discussão em Manchester é parte de um movimento mais amplo. Em Paris, pesquisadores já pediram que financiadores não apoiem trabalhos que possam facilitar a criação de células MI. Kate Adamala, da Universidade de Minnesota, argumenta que os riscos superam os benefícios, sugerindo que alternativas na biologia convencional são mais seguras.
Os debates continuarão em um encontro das Academias Nacionais de Ciências dos EUA no final do mês. A necessidade de estabelecer limites claros para a pesquisa em biologia de imagem espelhada é um tema central, à medida que os cientistas buscam equilibrar inovação e segurança.
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