O M HKA, museu de arte contemporânea de Antuérpia, pode encerrar suas atividades, após a transferência de acervo para o S.M.A.K. em Ghent. A decisão foi tomada pela governo flamengo.
Em outubro, o ministério da Cultura da Flandres ordenou o fechamento do museu e ainda cancelou a construção de um novo prédio, cujo valor estimado chegava a 130 milhões de euros. A medida afeta a programação e a continuidade das atividades.
O M HKA ficou conhecido por ligar formas emergentes e consolidadas de arte, atuando como laboratório de desenvolvimento. Sua coleção é modesta e voltada a arquivos, incluindo propostas como o internacionalismo euro-asiático.
O museu sediou exposições relevantes, entre elas a de Kerry James Marshall em 2013, a qual passou quase despercebida na região. Hoje, o artista é reconhecido por críticas europeias de peso por uma mostra em Londres.
Agora surge uma mobilização chamada Museum at Risk, impulsionada por artistas e trabalhadores culturais na Flandres. Eles ocuparam a entrada do M HKA por 24 horas para pressionar autoridades locais a contestarem a decisão.
Ação conta ainda com apoio de artistas internacionais, como Emilia Kabakov, e da família de Christian Boltanski, que exigem devolução ou remoção de obras do acervo online, consideradas pertencentes a Antuérpia.
A disputa envolve também a cidade, que pressiona pela defesa do acervo e pela manutenção de uma instituição estável. O desfecho depende de decisões políticas futuras e de revisões orçamentárias.
Entre as consequências, destaca-se o risco de enfraquecer um eixo de ligação entre culturas e práticas artísticas na região. A ausência de um museu robusto comprometeria a visibilidade de artistas locais e internacionais.
A discussão reabrirá o debate sobre o papel do investimento público na cultura, sem exigir resultados imediatos. Autores e especialistas ressaltam a necessidade de uma visão de longo prazo para instituições de arte na Europa.
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