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Mulher vítima de abuso infantil critica atraso de anos para julgar o pai

Após quase nove anos de atrasos na polícia e no Judiciário, a vítima vê o caso chegar tarde demais: o pai morreu meses antes do julgamento

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A mulher que foi estuprada pelo pai quando criança fez relatos sobre quase uma década de atraso para que ele fosse indiciado. O caso só teve desdobramentos suficientes para o processo chegar à acusação em agosto de 2021, quase sete anos após o relato initial. O desfecho ocorreu pouco antes da data prevista para o julgamento, que acabou sem acontecer, já que o pai morreu meses antes.

A vítima, cujo nome foi alterado, descreve o período como marcante por episódios de isolamento, depressão e tentativas de suicídio. Ela afirma ter sido deixada sem respostas durante o conflito entre polícia e Justiça, o que a levou a buscar reparação legal contra a força policial de Cambridgeshire. Em outubro de 2023, a polícia reconheceu falhas no atendimento ao caso.

Em 2024, a vítima obteve uma retratação formal da força, por meio de uma nota de desculpas escrita, mais de 11 anos após ter feito a denúncia. A investigação enfrentou atrasos que envolveram atrasos na comunicação, mudanças legais que permitiram que suspeitos fossem liberados sob investigação sem prazos fixos, e uma greve de advogados que adiou o julgamento.

Resposta institucional

DCS Sherrie Nash, da Cambridgeshire Constabulary, reconheceu que a condução do caso ficou aquém dos padrões esperados e pediu desculpas à sobrevivente pelo sofrimento causado. A polícia disse ter implementado melhorias em investigações de abusos não recentes e violência contra mulheres e meninas, incluindo treinamento adicional, supervisão mais estruturada e maior parceria com o Ministério Público.

A força ressaltou ainda esforços para reduzir atrasos por meio de maior cooperação com o Crown Prosecution Service. Garantiu que as mudanças visam aprimorar a resposta a casos semelhantes, ainda que não possam reparar integralmente o dano já causado.

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