Lynda Nead, professora de história da arte, apresenta British Blonde: Women, Desire and the Image in Post-War Britain, em Paul Mellon Centre. O estudo analisa a cultura britânica após 1945 via o símbolo da “British Blonde”.
A autora conecta a mudança de atitudes sobre a feminilidade ao papel da loirice como elemento comercial da imagem pública. O livro utiliza casos de mulheres emblemáticas para mapear classe, ambição social e desejo nos anos 1950 e 1960.
O trabalho parte de uma seleção de figuras centrais para entender o período pós-guerra e as transformações culturais impulsionadas pela estética da loirice. A obra também questiona como os estilos visuais moldaram identidades e sonhos.
As quatro figuras centrais
Diana Dors, Ruth Ellis, Barbara Windsor e Pauline Boty aparecem como âncoras para a análise. A trajetória de cada uma revela tensões entre glamour, respeito social e comportamentos considerados ambíguos.
Dors, estrela durante a Crise de Suez de 1956, passou a ser vista como a Marilyn britânica, associada a forma de sedução e a investimentos duvidosos em finanças. Sua vida refletiu a disputa entre agência feminina e imagem pública.
Ellis chegou a ser a primeira mulher a ser executada em Londres, em 1955, após assassinato. Radiografada como femme fatale, sua Blonde Noir indicou julgamentos morais influentes, além de a violência doméstica da época moldar percepções.
Windsor, famosa pelos filmes Carry On, foi identificada pela dupla de inocência e sexualidade. Seu carisma cômico contrastava com relações pessoais conturbadas, incluindo vínculos com figuras criminosas.
Boty, a chamada Sixties Blonde, desafiou o ideal de perfeição feminina com obras que abordavam desejo e raça. Suas peças e autorretratos expuseram a construção de fantasia de modernidade na era.
Mudanças em curso e desfecho
A autora situou o auge da imagem loira entre o fim dos anos 1960 e início dos 1970, quando o feminismo e o movimento de libertação feminina passaram a estruturar a compreensão sobre mulher, desejo e imagem.
O estudo destaca o impacto de imigração, descolonização e transformações sociais no conceito de beleza. A partir desse contexto, a Blonde britânica ganhou autonomia e passou a se expressar de forma mais contundente.
British Blonde encerra ao enfatizar como o segundo movimento feminista ofereceu uma moldura para entender o papel da mulher na cultura britânica. A obra aponta uma ruptura com padrões antigos e celebra a autonomia feminina.
- Lynda Nead, British Blonde: Women, Desire and the Image in Post-War Britain, Paul Mellon Centre, 240 páginas, 143 ilustrações, £30, lançamento 9 de setembro de 2025.
- Beth Williamson é historiadora da arte e, em fevereiro de 2026, lançará A Cultural Biography of William Johnstone: The Making of British Modern Art, pela Edinburgh University Press.
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