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ONG alerta: abusadores usam IA e tecnologia para atacar e controlar mulheres

Abusos com tecnologia aumentam: abusadores usam IA, smartwatches e dispositivos domésticos para rastrear e coagir vítimas, com recorde de casos complexos

Women’s groups are calling for tech developers to take into account women’s safety.
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A organização Refuge afirma que abusadores domésticos estão recorrendo cada vez mais a inteligência artificial, relógios inteligentes e outros dispositivos para atacar e controlar vítimas. Nos três últimos meses de 2025, o número de mulheres encaminhadas aos serviços especializados da ONG aumentou significativamente, com 829 casos, 62% deles classificados como os mais complexos, e um acréscimo de 24% em vítimas com menos de 30 anos.

A instituição destaca que acessórios vestíveis, como smartwatches, anéis Oura e Fitbits, têm sido usados para rastrear e vigiar mulheres. Dispositivos de casa conectada também são manipulados para controlar iluminação e aquecimento, ampliando o alcance do abuso. Além disso, há uso de apps de IA para falsificar identidades e situações.

Mina, uma sobrevivente acompanhada pela Refuge, relata que deixou o smartwatch ao fugir do agressor. O ex-parceiro utilizou contas na nuvem ligadas ao dispositivo para localizar a moradia de emergência, aumentando o medo de perseguição. Em novo refúgio, a vigilância continuou sob suposta ameaça, segundo a vítima.

Em outro caso, a Refuge aponta que a IA tem sido usada para modificar vídeos da vítima, sugerindo comportamentos inadequados para justificar avaliações negativas por serviços sociais. Técnicas similares também aparecem na criação de documentos falsos, como ofertas de emprego ou intimações.

A organização alerta que avanços em IA devem trazer maior proteção, com fiscalização mais rigorosa e investimento em equipes de investigação digital. Além disso, cobra maior responsabilização da indústria tecnológica na criação de dispositivos seguros para pessoas vulneráveis.

A agência reguladora e autoridades públicas foram chamadas a agir. A Refuge reclama que Ofcom e o arcabouço regulatório atual não são suficientes para coibir abusos digitais. O governo sinaliza atuação conjunta para enfrentar violência contra mulheres online e offline.

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