A homem que cumpriu pena por abusos sexuais de menor continua atuando como árbitro de Touch Football NSW, inclusive em equipes de base, em mais de uma década. A organização aponta um “grilho legal” como justificativa para a permanência no cargo.
Segundo investigaçao da Guardian Australia, Timothy McDougall, condenado por dois crimes envolvendo uma menina de 14 anos em 2012, atua como árbitro em competições regionais, estaduais e nacionais, incluindo equipes femininas de sub-12. A organização teve ciência das condenações apenas após denúncia pública.
McDougall foi incluído no registro de abusadores de crianças de NSW em 2014, após a condenação. Recebeu uma ordem de boa conduta por três anos. Outras acusações relacionadas a menores foram descartadas, e ele permanece sob registro até 2029 com obrigações de reporte contínuo.
Controles e lacunas
O órgão regulador de proteção infantil de NSW afirma que o WWCC não é exigido para árbitros cujo trabalho não envolve contato prolongado com crianças sem supervisão. No entanto, a Lei de Proteção à Criança exige que o registrante reporte certos contatos com menores.
A Guarda Criança de NSW procurou esclarecer com a polícia se a atividade de arbitragem configura contato reportável. A resposta indicou que o cumprimento depende das condições impostas ao indivíduo.
Especialistas apontam que há uma brecha no arcabouço legal. Um pesquisador disse que é necessária ação institucional para restringir atividades de pessoas listadas. A confiança de pais e comunidade também fica em jogo diante de jogos de sábado.
Posições das entidades
A Touch Football NSW informou ter comunicado ao Office of the Children’s Guardian após a denúncia. A organização afirmou que pode impor restrições adicionais para além da legislação, desde que o árbitro cumpra as exigências de gestão de risco.
O órgão nacional da modalidade ressalta que membros devem declarar acusações ou condenações relevantes. Não houve confirmação de que McDougall tenha feito essa declaração à federação. A NSWTA não respondeu a novas perguntas.
Contexto e consequências
Defensores públicos de proteção infantil defendem que todos os árbitros de esportes infantis devem possuir WWCC. O debate envolve como equilibrar a segurança com a prática esportiva em diferentes níveis de competição. O caso reacende a discussão sobre fiscalização e aplicação da legislação.
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