Os cursos de Medicina com as menores notas no Enamed 2025 já apresentavam, no ingresso, médias de candidatos por vaga mais baixas. Isso aponta para uma relação direta entre menor interesse e avaliação mais baixa no exame.
O estudo é de Mario Scheffer, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da Demografia Médica. Os dados indicam que quanto maior a relação candidato/vaga no ano de ingresso, maior é a avaliação média dos cursos no Enamed.
Conforme o levantamento, os cursos com conceito 1, pior nota, tiveram apenas 3,85 candidatos por vaga em 2020. Em contrapartida, os cursos mais bem avaliados apresentaram média de 69 candidatos por vaga.
Disparidade entre instituições públicas e privadas
A análise mostra que as faculdades com pior desempenho já tinham baixa seletividade. Scheffer afirma que os processos seletivos e formatos de ingresso merecem atenção, já que muitos países priorizam seleção rigorosa pela importância na saúde da população.
Há diferença acentuada também entre públicas e privadas. Instituições públicas com melhor desempenho tiveram, em média, 87,45 candidatos por vaga; mesmo as públicas mal avaliadas tiveram procura superior às privadas.
Scheffer comenta que os critérios de ingresso são diversos, variando desde vestibulares exigentes como a Fuvest até faculdades privadas com menor competição. O especialista aponta a necessidade de padronizar o ingresso.
Propostas para o ingresso
O pesquisador defende padronização e unificação de instrumentos de admissão, mantendo critérios sociais e políticas afirmativas. O objetivo é ter um modelo mais homogêneo, já que a concorrência está associada ao desempenho.
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