Brasília sediou o Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, nos dias 23 e 24. Lideranças governamentais da América Latina, representantes da sociedade civil e acadêmicos discutiram a criação de uma rede permanente para a alfabetização na idade adequada, aos 7 anos, por meio de cooperação regional.
O objetivo é ampliar a qualidade da alfabetização na região, conectando ações de governo, escola e comunidade. O encontro recebeu apoio de organizações como o Instituto Natura e contou com articuladores de políticas educacionais. A ideia é estruturar um programa comum entre os países.
O ministro interino da Educação do Brasil ressaltou a importância da alfabetização para superar desigualdades históricas. Também enfatizou que o direito à alfabetização sustenta o desenvolvimento social, econômico e a democracia na América Latina.
Modelo brasileiro
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada envolve União, estados e municípios com metas para alfabetizar crianças até o fim do 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, 59,2% dos alunos concluíram essa etapa, pouco abaixo da meta de 60%.
Segundo o ministro, o Saeb permite mapear desigualdades por escola, município, região e raça, ajudando a identificar deficiências. O sistema facilita planejar ações de melhoria de forma segmentada e monitorar avanços.
Desafios apontados incluem infraestrutura deficiente, falta de bibliotecas e necessidade de mais creches. A formação continuada de professores alfabetizadores é destacada como prioridade para elevar a qualidade do aprendizado.
Movimento continental
Entre as experiências apresentadas, a Argentina destacou o Plano da Jurisdição da Alfabetização no Chaco, que transformou ensino com um livro por aluno e ações em casa, beneficiando milhares de crianças. No México, a Nova Escola Mexicana prioriza diversidade linguística indígena na alfabetização.
O Peru citou avaliações censitárias e políticas de saúde escolar como elementos da melhoria educativa. Já o Uruguai enfatizou que a educação deve ser política de Estado, mesmo com limitações orçamentárias em um país de menor escala demográfica.
Novas tecnologias
A discussão destacou a alfabetização digital como complemento à leitura e escrita. A ideia é que o ensino de competências digitais acompanhe o processo de alfabetização ao longo da vida, integrando-se aos métodos tradicionais.
O encontro, que segue em Brasília, prevê debates adicionais sobre cooperação regional. A transmissão ao vivo é realizada pelo canal do MEC, com tradução simultânea em português, espanhol e Libras.
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