TEFAF Maastricht tem uma posição singular no mundo das feiras de arte: além de vender obras, a organização sem fins lucrativos apoia lojistas e ONGs culturais. O foco é manter o evento sustentável para a comunidade artística.
Fundação, não apenas feira. A sigla TEFAF pode significar European Fine Art Foundation ou European Fine Art Fair. A explicação mais aceita vem dos fundadores, que optaram por uma entidade legal criada para trabalhar “pelos dealers, para os dealers” sem favorecer alguém.
A TEFAF funciona como stichting, uma forma jurídica holandesa de fundação. A governança inclui comissão executiva e conselho de curadores, com colecionadores e representantes de museus entre os membros.
Essa estrutura distingue TEFAF de marcas de feiras com fins lucrativos. A finalidade é reinvestir os recursos para melhorar o evento e beneficiar toda a comunidade envolvida, não haver acionistas buscando retorno.
Entre os apoiadores, a TEFAF também atua como ponte entre dealers, curadores e historiadores, ampliando redes de contato além da relação direta vendedor-colecionador. A comparação de Laura Kugel ilustra esse ambiente.
Colaborações públicas e museológicas ajudam a consolidar a reputação. Nesta edição, uma exposição de Giacometti, apresentada pelo Kunsthaus Zürich, integra as ações culturais de TEFAF Maastricht.
A organização tem uma agenda de responsabilidade cultural que envolve iniciativas filantrópicas e de preservação. Desde 2008 apoia a Cultural Emergency Response, ONG que protege patrimônio em risco, e lançou, em 2012, um fundo de restauro museal com duas bolsas anuais de €25 mil.
Alguns dealers costumam questionar medidas que pareçam deslocar o foco da venda. Quando os objetivos são claros, os benefícios aparecem para todo o setor, inclusive para museus e organizações culturais.
Nessa linha, a TEFAF mantém parcerias com instituições públicas, como a Comissão Nacional da UNESCO, para promover debates e projetos conjuntos, ampliando o alcance da feira além do mercado imediato.
O segundo “F” de TEFAF, segundo Will Korner, chefe de feiras, é tanto Fair quanto Foundation. A ideia é manter o equilíbrio entre negócios e responsabilidade institucional, beneficiando a comunidade cultural.
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