O Museu AGO identificou o pintor e o retratado de um retrato de uma mulher negra do século XVIII. A obra, adquirida em 2020, mostra Eleonora Susette e o artista Jeremias Schultz, nascido em Berlim.
Susette nasceu por volta de 1756 em Berbice, então uma colônia holandesa hoje parte de Guyana. A jovem, escravizada, trabalhava com a mãe para os governadores da colônia. O retrato a apresenta elegante, com joias finas e posição confiante, segurando uma flor de laranjeira. O título anterior era Portrait of a Lady Holding an Orange Blossom.
A identificação foi possível após meses de pesquisa, que combinaram uma assinatura parcial e a comparação com outra obra de Schultz, hoje em coleção particular. A análise levou a confirmar Schultz como autor do retrato de Susette, realizado por volta de 1775.
Desdobramentos da pesquisa
O estudo revelou que Susette percorreu o Atlântico entre Berbice e Amsterdã, acompanhando a família de Beata Louise Schultz, prima do pintor. Beata retornou a Amsterdã com Susette e outra pessoa escravizada, Michiel. Os caminhos entre Amsterdã e Berbice refletem as rotas da época.
Após a identificação, a obra ganhou novo título: Portrait of Eleonora Susette. O retrato permanece exposto no nível térreo da galeria, em uma Sala 123, com a atribuição ao artista corretamente reconhecida.
Contexto histórico e exibição
A pesquisa destaca a presença de pessoas negras em Amsterdã no século XVIII e o papel de Schultz, ativo principalmente na Holanda e voltado a retratos de comerciantes ligados ao império colonial. O AGO planeja ampliar o relato histórico à medida que novas evidências surgirem.
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