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Líderes bascos pedem transferência da Guernica para Bilbao

Governo Basco pressiona pela transferência de Guernica para Bilbao; relatório técnico aponta fragilidade da obra e riscos de danos em novo deslocamento

Guernica and its state of conservation make it practically impossible to move it.
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O governo Basco pediu formalmente a transferência da pintura Guernica, de Picasso, para exposição no Guggenheim de Bilbao entre outubro de 2026 e junho de 2027, em comemoração ao 90º aniversário do primeiro governo basco e do bombardeio de Guernica. A solicitação envolve custos, garantias técnicas e tecnologia para garantir a segurança da obra.

Conforme o queixas bascas, a transferência seria uma reparação simbólica e política não apenas ao povo basco, mas a uma mensagem global. Madrid, porém, vê a situação sob outra ótica e afirma que a obra é muito frágil para ser movida.

O relatório técnico

Recentemente, o Departamento de Conservação e Restauro do Museu Reina Sofía publicou um relatório de 16 páginas recomendando categoricamente que o quadro não seja transferido. O documento detalha rachaduras, perda de policromia e lacunas pictóricas, apontando fragilidade adicional pela tinta usada por Picasso.

Segundo o relatório, parte dos danos resulta das mais de 30 viagens que a obra realizou entre os anos 1930 e sua chegada à Espanha. Em várias expedições, o quadro precisou ser enrolado para caber nos contêineres de transporte, o que deixou marcas.

Condições de transporte e preservação

O estudo afirma que movimentos futuros poderiam gerar novas fissuras, levantamento da camada pictórica e rasgos no suporte. O quadro não pode ser enrolado novamente e precisa ficar em posição vertical, com condições estáveis de umidade e temperatura.

Posicionamento das partes

A Basque government reconhece o estado da pintura, mas sustenta que a questão envolve condições de deslocamento. A ministra da Cultura basca, Ibone Bengoetxea, diz que a carta enviada à colega de Madrid buscou apenas esclarecer as condições técnicas, custos e garantias.

A resposta do Reina Sofía, publicada rapidamente após a reunião, não aborda diretamente essas condições. Bengoetxea afirma que uma resposta séria exigiria análise aprofundada, e que a Basque autoridades estão dispostas a arcar com os custos e a criar uma comissão técnica.

Contexto político e histórico

A negociação ocorre em um momento de transferência de competências entre Estado espanhol e País Basco. Guernica tornou-se uma causa política para o governo Pradales, que sinaliza a possibilidade de pressões diplomáticas caso a demanda seja ignorada pelo governo central.

Histórico de recusas

O Reina Sofía tem histórico de recusas a empréstimos da obra para outros museus, sem gerar crise diplomática. Em 1997, não autorizou a participação de Guernica na abertura do Guggenheim de Bilbao; em 2000, negou ao MoMA; em 2006, recusou ao Royal Ontario Museum; em 2007 e 2009 também negou outras solicitações.

Desdobramentos possíveis

O atual impasse envolve ainda o posicionamento do prefeito de Guernica, que sugeriu que, se a obra precisa ser movida, o lugar natural seria a própria Guernica, não Bilbao. A situação segue sem previsão de mudança de posição das autoridades espanholas.

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