O Vale do Anhangabaú, entre o Viaduto do Chá e a Praça da Bandeira, tem sido palco de transformações ao longo do século 20. O espaço revela diferentes leituras sobre mobilidade, público e paisagem, segundo o arquiteto Luiz Sobral Fernandes.
A intervenção de 1981, definida por concurso público, ficou sob a liderança de Jorge Wilheim, com Rosa Grena Kliass no projeto arquitetônico e Jamil Kfouri na colaboração. A proposta visava reorganizar o viário sem perder a qualidade do espaço público.
Inaugurado em 1991, o projeto criou uma esplanada para pedestres, cercada por áreas verdes, espelhos d’água e caminhos amplos. A leitura buscou equilibrar infraestrutura pesada e desenho paisagístico, conforme avaliação do autor.
Desde 2013, começam as discussões sobre novas intervenções. Em 2017 houve edital de concessão e requalificação, com obras iniciadas em 2019 e concluídas em 2021. O objetivo foi ampliar a flexibilidade de uso e modernizar a infraestrutura.
A intervenção recente substituiu áreas ajardinadas por pavimentação ampla, reduziu espelhos d’água e introduziu equipamentos. Avanços em drenagem, acessibilidade e infraestrutura para eventos são perceptíveis, mas há mudanças no conceito original.
Leituras distintas emergem entre usuários, técnicos e moradores. Alguns valorizam a versatilidade atual; outros apontam a perda de elementos que contribuíam para a qualidade ambiental e para a identidade do espaço, principalmente na arborização.
Ao redor, são visíveis edifícios icônicos como Matarazzo, Martinelli, Farol Santander, Theatro Municipal e o prédio dos Correios, que compõem o entorno do vale. A paisagem urbana permanece como referência histórica e contemporânea.
Essa discussão envolve órgãos como CONDEPHAAT e CONPRESP, responsáveis por avaliações técnico-urbanas. Ainda assim, a transformação ocorre sob a justificativa de requalificação e uso público mais flexível.
A avaliação do Vale do Anhangabaú parte de uma tensão entre continuidade histórica e renovação. O debate aponta para a necessidade de compatibilizar memória, mobilidade e uso intensivo da cidade.
A percepção é de que o espaço continua central, ativo e relevante. Contudo, a transformação recente gera disputa conceitual entre preservação ambiental, identidade do lugar e desenho urbano moderno.
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