Fordlândia, cidade idealizada por Henry Ford no início do século 20, nasceu às margens do rio Tapajós, no Pará. A construção começou em 1928 e foi abandonada em 1945, em meio a dificuldades climáticas e econômicas. O projeto buscava alavancar a produção de borracha para atender a cadeia de pneus da Ford Motor Company.
A ideia era criar autossuficiência para a indústria de veículos, com plantações próprias de seringueira nativas da Amazônia. A região foi escolhida por abrigar uma matéria-prima essencial para a produção de pneus, em um contexto de transição para a borracha sintética.
A área destinada cobria cerca de um milhão de hectares, entre a margem do Tapajós e territórios internos, com nova permuta de terras em Belterra em 1934. A escolha envolveu o governo do Pará e estimava gerar empregos e infraestrutura para a região.
Choque cultural e conflitos
A implantação seguiu regras rígidas de comportamento, higiene e lazer, inspiradas em modelos norte-americanos. A diferença entre cultura local e o projeto gerou tensões, resistência e conflitos entre trabalhadores brasileiros e administradores estrangeiros.
Viviam em vilas distintas, com áreas industriais, comerciais e hospitalares separadas das moradias. O acesso era principalmente via rio, o que dificultava a logística diante do isolamento da área.
Rotinas de trabalho eram longas, de 9h às 17h, em meio ao calor da Amazônia. Proibições de bebidas, inspeções em residências e coletas de sangue marcaram o cotidiano, complementadas por lazer formalmente moldado por padrões estrangeiros.
Declínio e abandono
Em 1945, a Ford devolveu as áreas ao governo brasileiro. As cidades permaneceram ocupadas, sob gestão do Ministério da Agricultura, e hoje funcionam como distrito do município de Aveiro. A população registra escolas, comércio e atividades locais, com variações ao longo do tempo.
Algumas estruturas originais ainda podem ser vistas, como caixas d’água e armazéns, mas muitas estão degradadas. O antigo Hospital Ford foi desativado, restando ruínas em parte do conjunto urbano.
Hoje, a região depende da pesca e da agricultura, com expansão de soja e criação de bovinos. A visita ocorre por via fluvial a partir de Santarém e Itaituba, com Belterra funcionando como rota turística adicional.
Entre na conversa da comunidade