O uTorrent, hoje apenas uma sombra do que foi no passado, foi criado para tornar o download de torrents mais leve e simples. Surgiu como μTorrent, desenvolvido pelo sueco Ludvig Strigeus para contornar programas pesados da época. Ele prometia uso mínimo de recursos e sem anúncios nas primeiras versões.
A popularidade do cliente cresceu rapidamente. Ao incorporar código da BitTorrent Inc., a empresa passou a usar o programa como base e, em 2011, já contava com mais de 132 milhões de usuários ativos. O êxito ajudou a consolidar o BitTorrent como padrão de compartilhamento P2P.
As controvérsias começaram em 2012, com a inclusão de anúncios na versão gratuita. Nos anos seguintes, o software foi marcado por alertas de malware ligados ao OpenCandy, além de brechas de segurança apontadas por especialistas. Em 2015, houve a instalação por padrão de um minerador de criptomoedas, o Epic Scale, que gerou forte reação e foi removido semanas depois.
Em 2018, o anúncio de vulnerabilidades graves elevou ainda mais o debate sobre a segurança do uTorrent. Nesse mesmo ano, a BitTorrent Inc foi vendida a Justin Sun, fundador da Tron, e a empresa passou a operar sob o nome Rainberry, com Bram Cohen deixando o projeto.
Hoje, o μTorrent continua disponível em três versões: Classic, para Windows, macOS e Linux; Android; e Web, que permite streaming direto pelo navegador. O software é gratuito, com planos pagos que oferecem menos anúncios, mas já não detém a mesma relevância de outrora.
O que resta, portanto, é uma ferramenta que continua amplamente utilizada, porém menos recomendada frente a concorrentes como o qBittorrent, além de opções de streaming legalizadas. O histórico evidencia como decisões de monetização podem impactar a reputação de um software.
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