A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar um gari em agosto de 2025. A apuração tramita em sigilo, com o objetivo de assegurar contraditório e ampla defesa. A delegada está afastada do cargo após licença médica prorrogada por 60 dias.
A arma usada no crime era de propriedade de Ana Paula. Segundo investigações, Renê saiu de casa com o armamento da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito relacionada à coleta de lixo na região, que provocou a retenção de veículos. O Ministério Público aponta que o acusado portava a pistola ilegalmente dentro do veículo.
O inquérito aponta ainda que Renê tentou induzir a perícia a erro, orientando Ana Paula a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a arma utilizada no homicídio. Em depoimento, a delegada afirmou não ter autorizado que o marido portasse ou usasse suas armas.
Renê da Silva Nogueira Júnior foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma, ameaça e fraude processual. A delegada Ana Paula foi afastada dois dias após o crime e indiciada pela prática de porte ilegal de arma, já que a arma usada pertencia a ela.
Cronologia do caso
Na manhã de 11 de agosto, Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros por Renê, enquanto trabalhava na coleta de resíduos em um bairro de Minas Gerais. Horas depois, o empresário foi localizado em uma academia do mesmo bairro. No dia seguinte, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o uso da arma da delegada no crime.
Dia 13 houve audiência de custódia e a prisão preventiva de Renê, que já possuía histórico de violência. Imagens do momento do crime foram divulgadas. Em 14 de agosto houve a divulgação do interrogatório do empresário; a defesa pediu restrições sobre registros no sistema carcerário.
No dia 15, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos do empresário; a polícia confirmou que a arma pertencia à delegada. Em 18 de agosto a defesa do empresário deixou o caso e Renê passou a admitir que cometeu o crime. Em 19 de agosto houve denúncia do MP pedindo júri popular.
Em 21 de agosto a Justiça negou bloqueio de bens. Em 26 de agosto, Renê escreveu que o crime teria sido um acidente; houve a terceira troca de defesas. Em 27 de agosto, Ana Paula foi afastada por motivos de saúde. Em 28 de janeiro de 2026, a Justiça determinou que Renê vá a júri popular.
Entre na conversa da comunidade