A edição Outono/Inverno 2026 das passarelas evidencia queda na diversidade de corpos, segundo dados da Vogue Business. O relatório de março aponta 97,6% de looks apresentados por modelos straight size, com 2,1% mid-size e 0,3% plus size, o menor nível em três anos. A tendência indica retração da inclusão.
Além disso, a diversidade de pele também é verificada com ressalvas. A Essence aponta que apenas 6% dos modelos nos desfiles são negros, revelando assimetrias que persistem mesmo em marcas de grande peso. O problema não é a ausência de modelos, e sim as escolhas das marcas sobre tamanho, corpo e narrativa.
A partir desses números, ganha relevância o debate sobre a prática de diversidade na indústria. Estudos brasileiros apontam potencial de mercado para tamanhos maiores e públicos negros, num contraponto ao que é visto nas passarelas. A ABVTEX estima R$ 6 bilhões anuais no segmento plus size no Brasil, enquanto a Feira Preta aponta poder de consumo de R$ 1,9 trilhão entre consumidores negros.
Esses dados destacam um desequilíbrio entre discurso e prática nas marcas. Diversas companhias afirmam atender à demanda, mas a produção segue limitada em escala, tamanho e storytelling. O termo diversitywashing é usado para descrever essa diferença entre promessa e transformação real.
Desafios para a indústria
- A gestão vê a inclusão como tendência ou como estratégia de negócio?
- A limitação de tamanhos e narrativas reduz o impacto informado pelo mercado.
- A transformação depende de decisões de liderança e de alocação de recursos.
A reflexão aponta para a necessidade de mudanças estruturais. Se a diversidade não estiver presente na prática do produto e na estratégia de marca, o setor corre o risco de perder representatividade diante do público consumidor.
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