O hospital do futuro tende a ser mais especializado e menos demandado, com foco em prevenção e na gestão contínua da saúde. A ideia envolve transformar a atuação hospitalar para além do atendimento pontual à doença aguda.
Para isso, se reforça a atenção primária, o uso de dados para identificar riscos e o acompanhamento ao longo da vida do paciente. Além disso, busca-se estimular hábitos saudáveis capazes de reduzir a incidência de doenças.
A mudança também depende de ampliar a coordenação do cuidado e o monitoramento fora do hospital, com tecnologias que permitam acompanhar pacientes à distância.
Tendência internacional
Nos Estados Unidos, o sistema de saúde consome cerca de 17,5% do PIB, o maior nível mundial, sem correspondência proporcional em resultados. Já na Europa, a Suíça gasta mais de 11% do PIB com saúde, com gastos per capita superiores a US$ 8 mil.
Cerca de 72% dos custos são associados a doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças cardíacas e câncer, muitas evitáveis com intervenções precoces. No Brasil, o gasto é de aproximadamente 9% do PIB, com dominance do investimento privado.
Envelhecimento e demanda
O envelhecimento da população é um fator determinante, elevando a demanda por serviços de saúde. Em países desenvolvidos, parte significativa da pressão recai sobre hospitais, planos de saúde e sistemas públicos. A ideia é que envelhecer não precisa significar adoecer.
Caminhos da transformação
O caminho não é apenas tratar; envolve prevenção, coordenação e monitoramento contínuo. Em países como Reino Unido e Canadá, já se pratica telemonitoramento e atenção primária estruturada para reduzir internações.
Ao avançar, cresce a opção pelo cuidado fora do ambiente hospitalar, com modelos como hospital at home. Tecnologias permitem tratar com segurança em casa, liberando leitos para casos complexos.
Papel do hospital do futuro
O hospital passa a atuar menos como local de tratamento de alta complexidade e mais como agente da jornada de cuidado. O objetivo é evitar a necessidade de procedimentos invasivos sempre que possível.
Para a sustentabilidade, é essencial inverter incentivos: valorizar a prevenção e a redução de procedimentos desnecessários, não apenas o volume de intervenções.
Perspectiva final
A transformação depende de pilares como a atenção primária fortalecida, uso de dados para antecipar riscos, acompanhamento contínuo e hábitos saudáveis. O futuro da saúde privilegia evitar condições graves.
Rogério Reis é médico e vice-presidente da Rede Américas.
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