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Mulheres que desenharam o feminismo no século 20 pela arte e militância

Artistas latino-americanas uniram imagem e militância para promover o feminismo, usando a imprensa como plataforma de divulgação e mobilização

Cartaz do Primeiro Congresso Nacional do Movimento pela Emancipação das Mulheres do Chile, 1937 – Foto: Retirada do artigo
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No início do século 20, artistas mulheres participaram ativamente dos movimentos feministas na América Latina, usando a arte como ferramenta política. A pesquisa de Thaís Batista Rosa de Moreira, doutoranda da FFLCH/USP, investiga a produção visual de movimentos sufragistas do Cone Sul.

A pesquisadora compara as trajetórias de Regina Veiga, no Brasil, e Laura Rodig, no Chile, destacando a formação em Belas Artes e a recepção em ambientes de premiações. O estudo analisa como essas artistas combinaram arte, imprensa e militância na década de 1930.

As duas pessoas aparecem como exemplos de vínculos entre produção artística e atuação feminina, em contexto de direitos civis restritos. Thaís aponta que a relação com movimentos feministas variou conforme o país e o período.

Contexto institucional e vínculos políticos

Regina Veiga atuou no Brasil, vinculando-se à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), criada em 1922 no Rio de Janeiro por Bertha Lutz. A pesquisadora destaca que a FBPF era liberal e buscou apoio de políticos para avançar o voto feminino.

Segundo Thaís, não é possível confirmar motivações claras de Veiga para se associar à FBPF, mas há registros de desenhos enviados por ela para a organização, usados pelos dirigentes na imprensa. A ligação direta com partidos não era predominante.

Laura Rodig, por sua vez, teve participação mais explícita em partidos de esquerda no Chile, sendo ativista do Partido Comunista Chileno e líder do MEMCH. Seu trabalho ganhou reconhecimento ainda jovem e combinou arte, museologia e militância.

A imprensa como ponte entre arte e militância

O principal veículo de divulgação das artistas foi a imprensa, com uso estratégico de imagens e iconografia feministas. A maternidade aparece como tema recorrente, reconfigurado para sustentar pautas emancipatórias.

Entre as produções, destaca-se o painel La mujer en el progreso nacional, de Rodig, para La Mujer Nueva, que retrata médicas, advogadas e Gabriela Mistral, símbolo da intelectualidade feminina latino-americana.

No Brasil, a FBPF publicou boletins próprios a partir dos anos 1930, mas seu principal canal de divulgação foi o jornal O País, onde houve uma seção dedicada ao feminismo, com textos, imagens e fotografias encaminhadas pelas militantes.

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