O Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho, lembrado em 28 de abril, destaca este ano os riscos psicossociais no ambiente laboral, tema escolhido pela OIT. O objetivo é ampliar a atenção a transtornos mentais relacionados ao trabalho e suas consequências para a saúde e a economia.
A organização aponta que 840 mil mortes anuais podem estar associadas à combinação de transtornos mentais com doenças cardiovasculares, em nível global. Dados reforçam a importância de políticas de prevenção e de ambientes de trabalho mais saudáveis.
Segundo a OIT, longas jornadas são um dos principais fatores de risco, com estimativa de que 35% dos trabalhadores em idade produtiva excedem 48 horas semanais. Esse ponto fortalece debates sobre condições de trabalho no Brasil.
Dados globais e cenário brasileiro
No Brasil, as discussões sobre saúde mental no trabalho ganham impulso com a tramitação de diretrizes da NR1, que orientam medidas para detectar e enfrentar pressão excessiva, assédio e sobrecarga de trabalho. As mudanças devem entrar em vigor em breve.
A OIT destaca ainda que 23% dos trabalhadores já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho, incluindo bullying e intimidações. Tais práticas ajudam a entender o quadro de sofrimento psíquico no ambiente corporativo.
Dados do Tribunal Superior do Trabalho indicam que, em 2025, o tema gerou mais de 142 mil novos processos de assédio moral, registrando aumento de 22% frente ao ano anterior. A questão permanece como entrave jurídica e social.
Desafios para implementação da NR 1
Entre 2023 e 2024, pedidos de afastamento por motivos psicológicos cresceram no Brasil, com o total subindo de 283 mil para 471 mil — alta de 66%. O acúmulo de casos sugere demanda por políticas estruturadas de saúde mental.
Apenas 10,7% das empresas possuem programas estruturados para lidar com riscos psicossociais, aponta levantamento com cerca de 300 profissionais de RH. A fração evidencia desafio de implementação em larga escala.
Apesar dos prejuízos humanos, o estudo da OIT aponta impacto econômico. Mortes e afastamentos ligados a transtornos mentais e doenças cardíacas reduzem a atividade econômica global em 1,37% ao ano.
Implicações para políticas públicas e empresas
Especialistas ressaltam que ambientes de trabalho mais saudáveis podem gerar ganhos para a economia, reduzindo custos com afastamentos e substituições. A NR 1 orienta a adoção de medidas que promovam bem-estar mental sem prejudicar a produtividade.
Observa-se, ainda, que a transformação tecnológica dos processos produtivos pode ampliar o sofrimento psíquico se não houver intervenções adequadas. O tema ganha relevância em negociações com sindicatos e no tema de produtividade.
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