Two buses, três horas e 13 milhas: como americanos em “desertos de trânsito” conseguem comprar mantimentos sem carro
O que aconteceu: a redução de serviços de ônibus após o fim de financiamentos ligados à Covid está agravando a insegurança alimentar em várias regiões dos EUA. Pessoas sem carro enfrentam longos trajetos para ir a supermercados, com horários imprevisíveis e custos adicionais.
Quem está envolvido: moradores de Memphis, Rhode Island e Duluth, entre outros, que dependem do transporte público para acessar alimentação. Autoridades locais, agências de transporte e pesquisadores destacam impactos diretos na vida cotidiana e na saúde.
Quando e onde: Memphis, no Tennessee, vive a realidade de redução recente de serviços. Em Rhode Island, cortes em 45 de 63 rotas foram anunciados em 2025. Em Duluth, Minnesota, pesquisas apontam dificuldades recorrentes desde a pandemia.
Por quê: o pico de custos e a queda de verbas de apoio ao transporte público colocaram em risco o acesso de quem não tem carro a alimentos saudáveis. A “transit fiscal cliff” envolve bilhões de dólares ausentes para manter redes de ônibus.
A recorrência do problema
Em Memphis, a Maya Winters usa o transporte público para cobrir 20 km, com atraso frequente e necessidade de planejamento de três horas para trajetos de ida e volta ao trabalho. A única chance de ir ao mercado fica muitas vezes dependente de transferências de ônibus demoradas.
Essa realidade se repete em Rhode Island, onde cortes de rotas e a sobreposição com medidas de Covid reduziram a disponibilidade de serviços em bairros com maior necessidade. Moradores relatam longos tempos de espera e dificuldade para levar compras para casa.
Evidências e impactos
Estudos indicam que reduzir paradas de ônibus diminui compras de alimentos saudáveis. Pesquisadores lembram que a distância e a inconstância do serviço influenciam escolhas por opções locais menos saudáveis e mais caras, impactando a nutrição.
Em Duluth, uma pesquisa com 100 moradores revelou atrasos, espaço insuficiente para carrinhos de compras e clima como barreiras à compra de alimentos saudáveis. A cidade iniciou comissões de transporte para buscar soluções, com resultados variados.
Busca por soluções
Experimentos com vouchers de táxi para ir a compras e sistemas de microtransporte surgem como alternativas. Em Somerville, perto de Boston, o programa Taxi to Health distribuía vales para corridas a mercados específicos, buscando ligação entre transporte público e acesso alimentar.
Outras propostas incluem plataformas de transporte sob demanda com tarifas diferenciadas, bem como lojas móveis de mantimentos que atendem bairros com menor acesso. Especialistas defendem que o planejamento urbano priorize a acessibilidade ao transporte público no momento da construção.
Caminhos locais concretos
Em Memphis, uma organização sem fins lucrativos privada ensina moradores a conduzir scooters motorizadas, oferecendo aluguel acessível como opção de substituir o busão. Zen’Yari Winters completou um “módulo” de condução e aguarda aprovação para adquirir a scooter, que seria vendida em parcelas.
O objetivo é reduzir custos e ampliar a liberdade de deslocamento para quem depende de serviços de entrega de mantimentos, especialmente quando a oferta de ônibus é irregular. A iniciativa destaca uma abordagem prática diante de serviços públicos limitados.
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