A Fuvest completa 50 anos mantendo o modelo de seleção que, segundo a instituição, funciona com a participação humana. Em entrevista, o diretor Gustavo Mônaco descartou o uso da inteligência artificial na elaboração ou correção de questões, afirmando que o foco continua no desempenho dos candidatos e na integridade do processo. A celebração será marcada pelo lançamento de um site que relembra os aprovados para a USP.
A prova, criada em 1976 para reduzir a influência de professores, mantém o formato artesanal e rígido. Hoje, integra cotas sociais e raciais e traz a lista de obras com maior participação de autoras mulheres, anunciada para as etapas de literatura. A Fuvest afirma que não há planos de usar IA para correção de redações ou para montar as questões.
A instituição também ressalta que o uso de IA poderia introduzir vieses e reduzir a diversidade de repertórios. O diretor destaca que, mesmo com o avanço tecnológico, o modelo humano tem garantido maior robustez e transparência no processo avaliativo.
IA na prova: discutida, ainda sem aplicação prática
Segundo Mônaco, houve apenas discussões sobre possível uso da IA para prever o desempenho de questões. A ideia seria estimar quantas pessoas acertariam uma questão considerada fácil ou difícil, sem alterar a condução atual. Não há acordo para aplicação imediata.
O sistema de correção permanece com dois corretores cegos, seguidos por um terceiro, se necessário. A equipe argumenta que a avaliação humana permite observar criatividade e repertório dos candidatos, nuances que a IA não deve eliminar. A direção afirma não haver segurança em confiá-la integralmente ao algoritmo.
Custos, operações e fraude
Um vestibular da Fuvest envolve quase 100 elaboradores na primeira fase e cerca de 4 mil correções na segunda fase, com custo total de aproximadamente 22 milhões de reais. A fundação destaca que não tem fins lucrativos e valoriza a remuneração de profissionais que atuam há meio século.
Casos de fraude já ocorreram, inclusive com identificação de identidades falsas por meio de reconhecimento facial utilizado durante a aplicação. Em um episódio, a polícia civil foi acionada após perfis de candidatos serem confrontados com dados reais. Os registros reforçam a atuação de mecanismos de verificação ao vivo.
Acompanhamento e diversidade na lista de leitura
A Fuvest tem defendido a inclusão de autoras na lista de livros obrigatórios, com justificativas sobre qualidade e representatividade. A instituição vê a presença de autoras como parte da evolução histórica do vestibular, sem retirar relevância de autores consagrados já incluídos em gerações anteriores.
As cotas ampliaram o repertório temático das provas, incorporando questões relacionadas a escola pública, populações historicamente sub-representadas e desigualdades sociais. A banca afirma manter três listas de aprovados para assegurar participação equitativa, sem prejudicar o mérito.
Perspectivas para o futuro
O diretor afirma que a Fuvest continuará existindo enquanto a USP permanecer como referência. Apesar da alta procura e do número limitado de vagas, a instituição sustenta o modelo atual e a busca por aperfeiçoamentos que não comprometam a credibilidade do processo.
Apesar de avanços, a Fuvest não planeja tornar a inscrição ou a aplicação mais simples por meio de soluções tecnológicas que possam comprometer o rigor da seleção. A 50ª edição do vestibular é apresentada como marco histórico de continuidade entre tradição e evolução.
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