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Racismo no Brasil visto por intercambistas africanos

Intercambistas africanos na USP relatam racismo estrutural no Brasil e recorrem a autoproteção, como vestir camiseta com a identificação da universidade

Conexões Afro-Lusófonas
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Os docentes angolanos Paulo Balaca, João Samoma Fernando e José Bembo Manoel participam de uma série que acompanha intercambistas lusófonos no Brasil. Nesta segunda parte, eles detalham como percebem e enfrentam o racismo estrutural no país, durante doutoramentos na USP.

Ao chegar ao Brasil, os professores trouxeram saberes sobre cultura, educação e clima locais. Hoje integrados ao cotidiano, relatam que foram bem recebidos, mas que o racismo estrutural ainda aparece em situações cotidianas, como no transporte público.

Samoma Fernando, professor de Álgebra Linear, relata episódios em ônibus e no metrô em que se sentiu deslocado por ser africano. Balaca, pós-doutorando da Poli Mecânica, compara o racismo com Portugal, afirmando que aqui a discriminação tende a ser menos explícita, exigindo estratégias de adaptação.

José Bembo Manoel, doutorando na USP, comenta que lidar com o preconceito envolve reconhecer o ambiente e adotar autodefesa social. Ele cita o uso de vestimentas com identificação da universidade como recurso para ganhar respeito no dia a dia.

Autoproteção e adaptação

Os docentes ressaltam que o convívio no campus também traz aspectos positivos, com pessoas de bem e apoio entre colegas. A observação de que a aparência institucional pode influenciar percepções abre espaço para estratégias coletivas de acolhimento.

Além das questões raciais, a dupla de pesquisadores destaca a necessidade de adaptação ao clima paulistano. A recomendação prática é levar guarda-chuva e estar preparado para as variações climáticas da cidade.

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