A percepção de que as redes sociais prejudicam a democracia cresceu em diversos países nos últimos anos, segundo uma pesquisa do Pew Research Center divulgada nesta quinta-feira (1º). O levantamento, realizado em 37 países, mostra que as plataformas digitais são cada vez mais associadas à disseminação de informações falsas e ao aumento das divisões políticas, embora também sejam reconhecidas como ferramentas importantes para ampliar o acesso à informação e a participação da população na política.
No Brasil, 78% dos entrevistados acreditam que a internet e as redes sociais facilitam a manipulação das pessoas por meio de informações falsas, enquanto 64% avaliam que essas ferramentas tornaram a população mais dividida em suas opiniões políticas.
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Ao mesmo tempo, os brasileiros reconhecem benefícios das plataformas digitais. Segundo a pesquisa, 73% afirmam que a internet e as redes sociais ajudam as pessoas a ficar mais informadas sobre os acontecimentos, enquanto 60% consideram que elas ampliaram a capacidade da população de participar do debate político e fazer sua voz ser ouvida.
Visão negativa cresce em diferentes países
A pesquisa mostra que, na maioria dos países com dados disponíveis para comparação, aumentou significativamente a parcela da população que considera as redes sociais prejudiciais à democracia em relação a 2022 ou 2023.
Nos Estados Unidos, 64% dos adultos acreditam que as redes sociais fazem mal à democracia. Apesar de elevado, o percentual permanece praticamente inalterado desde 2022.
Segundo o Pew Research Center, a estabilidade americana contrasta com o avanço dessa percepção em outros países, que estão se aproximando dos Estados Unidos na avaliação dos efeitos negativos das plataformas.
A preocupação é particularmente elevada nas nações mais ricas. Austrália, Canadá, França, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido e Estados Unidos estão entre os países onde pelo menos metade da população considera que as redes sociais tiveram um impacto negativo sobre a democracia.
Israel e Singapura, entretanto, aparecem como exceções entre os países de alta renda, com proporções relativamente menores de pessoas que enxergam as plataformas de maneira negativa.
Desinformação preocupa 79% dos entrevistados
Apesar das diferenças entre os países, a preocupação com a disseminação de informações falsas é amplamente compartilhada.
Considerando as 37 nações pesquisadas, uma mediana de 79% dos entrevistados acredita que a internet e as redes sociais facilitaram a manipulação das pessoas por meio de informações falsas.
Outros 68% afirmam que essas tecnologias tornaram a população mais dividida em suas opiniões políticas.
A percepção de que as plataformas ampliam as divergências políticas cresceu significativamente em países como Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.
Nos Estados Unidos, 81% dos entrevistados acreditam que a internet e as redes sociais aumentaram a divisão política, percentual semelhante aos 79% registrados em 2022.
Redes sociais também são vistas como ferramentas de participação
Embora a preocupação com os efeitos negativos tenha aumentado, a avaliação geral das redes sociais ainda é predominantemente positiva na maioria dos países pesquisados.
55% dos entrevistados considera que as redes sociais tiveram um impacto positivo sobre a democracia, enquanto 35% avaliam que o efeito foi negativo.
Parte dessa percepção está relacionada à capacidade das plataformas de ampliar o acesso à informação e permitir que mais pessoas participem das discussões políticas.
Segundo a pesquisa, 77% dos entrevistados acredita que a internet e as redes sociais fizeram com que a população ficasse mais informada sobre os acontecimentos atuais. Outros 60% afirmam que essas ferramentas aumentaram a capacidade das pessoas de ter uma voz relevante na política.
Nos países com PIB per capita mais baixo, a avaliação tende a ser mais favorável. Em Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, cerca de três quartos dos entrevistados ou mais consideram que as redes sociais foram benéficas para a democracia.
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