A violência gera medo entre as mulheres e impacta o cotidiano. Segundo a pesquisa Os gatilhos da insegurança, do Datafolha, 40,9% das entrevistadas disseram ter deixado de sair à noite no último ano por medo de violência. Entre os homens, o índice é 29,8%.
O estudo, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios. O levantamento também aponta que 37,8% não saíram às ruas com o celular por medo de assalto.
O medo de golpes digitais e golpes com uso de arma aparecem entre as principais preocupações das mulheres, com 86,6% relatando temor nesses dois cenários. Também estão acima de 80% o medo de ser morta durante um assalto e de ter o celular roubado.
Percepção por gênero
Entre as mulheres, o receio de ser roubada à mão armada, ser vítima de agressão sexual e sofrer bala perdida ultrapassa 80%. Nos homens, nenhuma categoria supera 80%, com picos em golpes digitais (79,6%) e roubo à mão armada (77,7%).
Alterações de comportamento foram relatadas por 36,5% dos entrevistados que dizem ter mudado de percurso. Outros 35,6% disseram ter deixado de sair à noite e 33,5% levaram o celular consigo apenas quando necessário.
Impacto concreto
Os dados indicam que 40,9% das mulheres evitaram sair à noite e 37,8% deixaram o celular em casa por medo de assalto. Entre os homens, os percentuais são 29,8% e 28,9%, respectivamente, revelando diferença significativa de percepção e comportamento.
A divulgação ocorre em meio a queda de registros de crimes, mas com aumento de feminicídios no primeiro trimestre de 2026. O Ministério da Justiça aponta 399 feminicídios entre janeiro e março, alta de 7,5% frente a 2025. O estado de São Paulo concentra o maior número.
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