Num armazém antigo da Ceagesp, ao lado de barracas de frutas, funciona o Galpão da Lapa, espaço de arte brasileira contemporânea. Abriga mais de 2 mil obras, com acesso gratuito ao público duas vezes por semana.
O Instituto Galpão da Lapa foi criado por José Olympio e Andrea Pereira, que dedicaram 30 anos ao projeto. A ideia central é simples: arte não existe para ficar guardada, precisa estar disponível a todos.
A memória familiar pesa na história. O avô editor José Olympio gravou uma frase de Monteiro Lobato no teto da editora, e a avó Vera Pacheco Jordão foi crítica de arte no O Globo. As origens moldam a coleção atual.
Andrea chegou ao universo artístico pela convivência com o marido e com a arte contemporânea. Ela afirma que cada obra conversa de modo diferente com quem observa. O casal encontrou no Galpão um desdobramento dessa convivência.
A descoberta de novos artistas ocorreu após encontros com Raquel Arnaud, quando o casal deixou o Rio para se estabelecer em São Paulo. O engenheiro José Olympio diz que a geometria, o concretismo e a abstração tocaram seu interesse.
Ao longo dos anos 1990, visitas a galeristas abriram caminhos para nomes como Ernesto Neto, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão. A experiência incluiu também episódios curiosos, como a curiosa recusa a um artista que fotografava com chocolate.
A vida institucional se destacou com a participação de José Olympio em conselhos de museus e bienais. O casal colaborou com o MoMA e a Tate Modern, fortalecendo o diálogo entre colecionismo privado e instituições públicas.
Em 2003, o primeiro espaço expositivo foi inaugurado na Rua São Luís. Em 2017, o galpão da Ceagesp passou por reforma e passou a receber exposições a cada dois anos, com curadores convidados.
Ana Israel, filha do casal, fomentou a ampliação do projeto e criou o Instituto. Hoje, a gestão busca acesso gratuito e democrático, para que a produção brasileira tenha visibilidade além dos muros do espaço.
História e propósito
O Galpão da Lapa reúne obras de jovens e renomados artistas brasileiros, com foco na produção contemporânea. O acervo é aberto ao público mediante agendamento de visita.
Panorama internacional
Projeta-se como exemplo de prática comum entre colecionadores que tornaram museus privados acessíveis. Casos como Don e Mera Rubell, Pinault e outras instituições evidenciam movimento semelhante de expandir o acesso à arte.
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