Augusto Cury, psiquiatra, escritor, professor e pré-candidato à Presidência, afirma que a sociedade vive uma crise emocional provocada pelo excesso de estímulos digitais, pela hiperconectividade e pelo enfraquecimento das relações humanas. Em entrevista ao Podcast do Correio, ele analisou os impactos das redes sociais sobre diferentes faixas etárias, incluindo educação, saúde mental e política.
Segundo o convidado, a evolução tecnológica mudou o funcionamento emocional das pessoas. Ele aponta que celulares e plataformas de comunicação ampliaram a quantidade de informações diárias, dificultando a concentração e o aprendizado. Em suas palavras, a era digital dificulta a fixação de referências estáveis na mente.
Cury também destacou a chamada síndrome do pensamento acelerado, dizendo que jovens podem apresentar traços parecidos com o TDAH sem fatores genéticos ou metabólicos que justificassem o transtorno. Ele criticou diagnósticos precipitados e o uso excessivo de medicamentos para controlar ansiedade ligada à exposição digital.
Ambiente familiar e escolar
O escritor defende mudanças no ambiente familiar, com menos cobranças e mais diálogo, convivência e contato com a natureza. Segundo ele, adultos costumam usar o celular para silenciar crianças, o que agrava os problemas emocionais. Ele recomenda atividades lentas e diálogo para gerir pensamentos perturbadores.
Em relação à educação, Cury avalia que escolas e universidades privilegiam o desempenho técnico e racional em detrimento da gestão emocional. Para ele, o ensino precisa abordar competências emocionais, frustrações e conflitos internos, além de conteúdos acadêmicos.
Fama, exposição e política
O psiquiatra comenta os impactos da fama na saúde mental, apontando que a pressão e a necessidade de aprovação podem agravar o sofrimento emocional. Ele afirma que a exposição excessiva não é benéfica quando não há manejo adequado.
Durante a entrevista, Cury também tratou de sua visão sobre a política. Ele diz que pretende defender o diálogo, reduzir a polarização e estimular a empatia entre diferentes correntes. O objetivo é contribuir para a pacificação do debate público diante da radicalização.
Perspectivas para o futuro
No panorama global, o escritor alerta para o aumento do desemprego, da desigualdade e da instabilidade internacional diante da automação. Defende investimento em empreendedorismo, educação emocional e inclusão social para enfrentar esses desafios. Ele ressalta a necessidade de equilíbrio entre tecnologia e bem-estar.
Ao longo da conversa, Cury enfatiza que a sociedade precisa valorizar relações humanas e experiências simples, buscando uma convivência menos acelerada. O foco é promover saúde mental individual e melhor qualidade do convívio social, político e público.
Entre na conversa da comunidade