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Ingresso em universidade duplica em dez anos, mas 60% abandonam a graduação

Apesar de o ingresso em universidades privadas ter quase dobrado nos últimos dez anos, seis a cada dez estudantes abandonam a graduação, evidenciando desafios de permanência

Estudantes relatam ao R7 Planalto desafios da permanência no ensino superior
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O ingresso em universidades privadas no Brasil quase duplicou nos últimos dez anos, mas a maioria dos estudantes não conclui o curso. Dados do Censo Escolar, levantados pelo R7 Planalto, mostram alta evasão, com mais de 60% de desistência.

Entre 1,7 milhão de ingressantes em 2014, o número subiu para 4,3 milhões, conforme o levantamento. Mesmo assim, a taxa de conclusão não acompanha o crescimento, evidenciando desafios de permanência na graduação.

O estudo também traz relatos de quem entrou, enfrentou dificuldades e precisou abandonar temporariamente a formação. Em muitos casos, o custo financeiro é o principal entrave para manter o curso.

Letícia Mendes, 21 anos, Luziânia (GO), abandonou o curso de sistemas de informações no segundo semestre. O trabalho em outra cidade aumentou as despesas com mensalidade e transporte, somando mais de um financiamento para pagar a graduação.

Ela trabalha como trancista e sonha retornar, desta vez em universidade pública. Defende horários CLT mais flexíveis e transporte gratuito para facilitar a permanência, citando o peso financeiro como entrave.

Sara Souza, 23, iniciou pedagogia e está perto da conclusão, mas também fez pausa. Bodilar a vida pessoal e profissional exigiu reorganização intensa. Estágio e jornada de trabalho precisaram ser conciliados para manter o curso.

Segundo Sara, a falta de flexibilidade dos estágios atrapalha a continuidade. Ela ressalta a necessidade de estágios em horários alternativos para estudantes que trabalham.

Desafios e ações do MEC

Brenda Araújo, 33, mudou de psicologia para turismo após observar que não desejava seguir o curso original. Pesquisas apontam que fatores financeiros e apoio familiar dificultam a permanência, reforçando a necessidade de bolsas e moradia estudantil.

O MEC afirma tratar a evasão como problema multifatorial. O secretário Marcus Vinicius David diz que ações visam suporte financeiro, pedagógico e melhoria da experiência no campus.

O órgão trabalha para ampliar permanência, com políticas de assistência estudantil e melhorias na formação. Dados indicam que a educação a distância tem papel relevante no crescimento de ingressantes.

Entre medidas, o MEC cita a recuperação de políticas de permanência e maior financiamento para moradia, alimentação e transporte. Também detalha eixo de universidades inovadoras, inclusivas e estratégicas para atualizar currículos.

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