O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Escudo das Américas, aliança de segurança liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa uma tentativa de cercar o Brasil sob o que considera um falso argumento de combate ao crime organizado.
Em entrevista ao canal Tutaméia TV, no YouTube, Amorim criticou a associação feita pelo governo americano entre organizações criminosas e terrorismo internacional.
“Essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil num cerco, cercado com base num argumento falso que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, afirmou.
O Escudo das Américas foi lançado em março, reunindo os Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos em uma iniciativa de cooperação na área de segurança. O Brasil não faz parte.
O grupo apoiou sanções americanas contra 24 organizações criminosas que atuam na região, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), classificadas pela Casa Branca como narcoterroristas.
🔎 Narcoterrorismo é um termo usado para associar atividades de tráfico de drogas a práticas terroristas. A aplicação dessa classificação a facções brasileiras é contestada pelo governo Lula.🔎
Amorim fala em ameaça e cita disputa com a China
Durante a entrevista, Amorim afirmou que governos anteriores dos Estados Unidos também buscaram exercer influência sobre o Brasil, mas avaliou que a postura atual representa uma ameaça mais direta.
“Agora sim nós sofremos ameaças”, declarou.
O assessor também associou a iniciativa americana à disputa por influência internacional com a China.
“Na realidade, é um esquema de dominação absoluta. O problema deles é a China”, afirmou.
Governo Lula se opõe à classificação de facções como terroristas
O governo brasileiro se posicionou contra a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. A preocupação manifestada pelo governo Lula é que essa designação possa abrir espaço para ações americanas em território brasileiro e para a aplicação de sanções a empresas nacionais.
Já o governo Trump apresenta a iniciativa como parte de sua estratégia de enfrentamento ao crime organizado e ao tráfico de drogas na América Latina.
Entre as medidas previstas nas sanções americanas estão restrições migratórias e congelamento de bens de pessoas e organizações atingidas.
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