Em 23 de dezembro de 1995, Fabiana Esperidião, 13 anos, saiu de casa em São Paulo para visitar uma colega e não retornou. Desde então, a mãe Ivanise Esperidião busca a filha sem descanso, transformando a dor em atuação pública pelo tema dos desaparecidos. Hoje Fabiana teria 44 anos.
O caso impulsionou a criação do Movimento Mães da Sé, que surgiu a partir de um encontro em março de 1996, na Catedral da Sé, com dezenas de mães em situação semelhante. A partir dali, a rede ganhou força e deu origem à ABCD, associação ligada à busca de crianças desaparecidas.
No cenário nacional, Ivanise aponta falhas públicas: a busca muitas vezes começa sem coordenação entre órgãos, e a 24 ou 48 horas para registrar desaparecimentos ainda não é regra em muitos casos. A legislação atual não exige esse prazo, mas há relatos de familiares que enfrentam resistência.
Desafios e caminhos
Segundo dados oficiais, o Brasil registrou 84,7 mil desaparecidos em 2025, com média de 232 casos por dia; crianças e adolescentes representam boa parte dessas ocorrências. A falta de integração entre estados dificulta investigações.
Entre os casos recentes, o de José Thiago Honório da Silva, 25 anos, desaparecido desde 2023 na região da Lapa, evidencia a persistência da dor das famílias e a necessidade de respostas eficazes para investigações, localização de pessoas e apoio jurídico.
Miguel Lau Mbiya, 17 anos, desapareceu na região da Sé em 2025, destacando a vulnerabilidade de jovens, especialmente de famílias de baixa renda e residentes em áreas urbanas. A mãe Ana Maria Mbiya acompanha o caso em busca de informações.
Tecnologia e riscos
A atuação das Mães da Sé ganhou novas ferramentas com redes sociais, inteligência artificial e sistemas de reconhecimento facial. Programas como o Smart Sampa ajudam a mapear locais e pessoas, mas a tecnologia também coloca famílias em risco por possíveis usos indevidos.
Ivanise ressalta que a busca coletiva envolve acolhimento psicológico, orientação jurídica e articulação com órgãos públicos. A associação permanece como suporte para familiares que enfrentam humilhação, abandono estatal e falta de respostas.
O debate público sobre desaparecidos no Brasil continua, com a necessidade de maior integração entre polícias, serviços de saúde e assistência social para transformar dor em busca de soluções efetivas.
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