Em uma modalidade de crime sem precedentes no Distrito Federal, casas em áreas rurais e urbanas de São Sebastião serviam de base para desvio de energia para operar mineração de criptomoedas. O esquema envolvia uma operação em uma residência no Núcleo Rural Cava de Baixo, que escondia uma usina de mineração funcionando 24 horas por dia, abastecida por energia furtada. O prejuízo à Neoenergia chegou a quase 8 milhões de reais.
A investigação, iniciada no fim de 2025 pela 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), partiu de uma denúncia de furto de energia e evoluiu para apontar atuação de uma quadrilha dedicada a minerar criptomoedas com energia desviada. O dono da casa alugou o imóvel por 1 mil reais mensais, mas ao entrar no local encontrou dezenas de máquinas e uma ligação de cabos conectando a casa ao poste gerador.
Ao longo de janeiro a abril deste ano, a Polícia Civil do DF e a Neoenergia deflararam sete fases da operação CriptoGato, identificando mais nove imóveis usados para minerar clandestinamente, todos em São Sebastião. Dois endereços ficam na área urbana, os demais na área rural, com monitoramento constante pelos suspeitos.
Operação CriptoGato e imóveis usados
Em uma das residências da Rua 12, Bairro Vila Nova, foi constatado o uso de espaços desocupados para abrigar até 45 máquinas que operavam contínuas, com infraestrutura alterada para sustentar o funcionamento. Os aparelhos tinham valores de mercado entre 2 mil e 6 mil reais cada, totalizando um investimento relevante.
Investigadores apontam que o grupo alternava endereços para evitar suspeitas, mantendo as casas sob vigilância com câmeras e monitoramento remoto. A Polícia Civil indica que há uma divisão de tarefas entre aluguel de imóveis, instalação de energia e infraestrutura de informática, e coordenação geral da operação.
Arthur Franklim, gerente da Neoenergia Brasília, explica que os imóveis são geralmente rurais, com pouca movimentação de pessoas, o que facilita o funcionamento ininterrupto. A empresa registrou quedas de energia associadas ao esquema, o que compromete a qualidade do fornecimento na região.
Impacto, consequências e encaminhamentos
A energia desviada ao longo das fases seria suficiente para abastecer mais de 47 mil residências por mês, segundo balanço da Neoenergia. Técnicos da empresa atuam com equipes de inspeção na rua e com atuação de inteligência, incluindo drones e uso de tecnologia para identificar endereços suspeitos.
Até o momento, ninguém foi preso. As investigações continuam para identificar os envolvidos, com foco na responsabilização pelo furto de energia, crime previsto no artigo 155 do Código Penal. O grupo é, segundo a polícia, estruturado e com possível divisão de funções entre aluguéis, instalação e coordenação.
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