O PCC coordenou uma série de ataques em maio de 2006 que deixou 17 mortos e paralisou a região de Ribeirão Preto (SP). A ofensiva ocorreu em resposta à transferência de líderes da facção para presídios de segurança máxima, atingindo delegacias, quartéis e ônibus.
Entre as vítimas, o delegado Adelson Taroco morreu 19 dias após a rebelião em Jaboticabal, após sofrer queimaduras em 70% do corpo. A operação envolveu também a morte de um agente carcerário em Ribeirão Preto e de um guarda florestal, além de outros ataques nas duas cidades.
A violência provocou investigações contra 37 presos pela morte de Taroco; pelo menos oito foram condenados. A família do delegado recebeu indenização do estado, segundo registros judiciais de 2015.
O medo se espalhou pela população: ruas desertas, comércio abrindo mais cedo e relatos de temor entre policiais. Testemunhas citam que o ambiente de risco influenciou rotinas, inclusive no atendimento de serviços públicos.
Historicamente, o episódio marcou o início de uma mudança na atuação das facções na região. Especialistas apontam que o crime organizado evoluiu para estratégias mais sofisticadas, com maior foco financeiro e infiltração econômica.
O peso econômico do crime
A região de Ribeirão Preto passou a acompanhar investigações sobre a atuação do PCC em atividades além do tráfico. A Operação Carbono Oculto apontou aquisição de ativos, como uma usina de cana em Pontal (SP), para distribuição de combustíveis adulterados.
Analistas destacam que o combate ao poder econômico das facções é essencial para reduzir a capacidade de atuação. Entendem que recursos fortes fortalecem a organização, dificultando ações de repressão.
O cenário atual indica que o crime organizado evoluiu, com atuação mais estruturada e financeira. Especialistas defendem foco em desarticulação de fluxos de recursos para reduzir a influência dessas organizações.
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