Nesta terça-feira, 12, universidades públicas argentinas realizaram a quarta manifestação desde o início do governo de Javier Milei. O ato principal ocorreu em Buenos Aires, com mobilizações em várias cidades do país, reunindo manifestantes contrários aos cortes no orçamento da Educação pública.
A mobilização é apoiada pelo Conselho Interuniversitário Nacional, que reúne as 64 universidades públicas. Estima-se que mais de um milhão de pessoas participe em todo o território, em protesto contra o financiamento defasado das instituições. Milei vem se mantendo contrário a medidas que revertam os cortes.
Contexto do financiamento
Desde dezembro de 2023, o investimento em universidades públicas caiu para o menor patamar da história. A Lei de Financiamento Universitário busca reverter os cortes e reajustar salários conforme a inflação, mas o governo não tem implementado as medidas.
A Justiça já decidiu a favor das universidades em duas instâncias, e o caso chegou à Suprema Corte. O governo tenta adiar impactos fiscais estimados em 0,23% do PIB. A oposição e sindicatos reivindicam cumprimento imediato da legislação.
Impactos econômicos no ensino
O orçamento atual destina cerca de 90% ao custeio de salários. Professores obtêm salários médios muito baixos, com grande parte recebendo menos de R$ 2 mil. A queda real do poder de compra dos docentes supera 30% desde 2023.
O setor enfrenta atraso de pagamento em hospitais universitários e falta de recursos para 2026. O financiamento caiu de 0,72% do PIB para 0,47%, com previsão de 0,42% ao fim do ano. A universidade exige retomada do patamar anterior.
Deslocamento de profissionais
Segundo o Conselho, nos 2,5 anos de Milei, mais de 10 mil professores e pesquisadores deixaram o ensino público. Em algumas instituições, como a Universidad Técnica Nacional, a fuga de docentes é expressiva, com impactos diretos na qualidade do ensino.
A partir da situação econômica, críticas apontam para o surgimento de uma fuga de cérebros, com parte dos profissionais migrando para o setor privado ou deixando o país. Essa tendência preocupa pela perda de capacidade acadêmica.
Quadro político e social
Movimentos sindicais, organizações sociais e partidos de oposição acompanham as ações, acusando o governo de desmantelar a educação pública. Pesquisas de opinião indicam elevada rejeição a Milei, com índices de desaprovação acima de 60%.
O momento atual é descrito como o mais delicado politicamente para Milei desde sua posse, em meio a críticas sobre inflação, desemprego e percepções de gestão econômica. As manifestações continuam como resposta a esse cenário.
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