O estudo, publicado na revista Brain Health, revisa a literatura sobre desenvolvimento infantil e propõe o conceito de “criticome”. Segundo os autores, experiências sensoriais, movimento e interações sociais moldam competências essenciais já na infância, com efeitos que podem ser duradouros.
O trabalho aponta uma janela crítica de desenvolvimento que vai do nascimento aos 25 anos. Durante esse período, o que se imprime no cérebro tende a influenciar quem nos tornamos ao longo da vida. O estudo não fornece respostas definitivas, mas destaca a importância de hábitos na primeira infância.
Entre os achados, as telas aparecem como estímulos intensos que podem comprometer o engajamento com atividades não digitais. A psicóloga Melissa Greenberg comenta que o excesso de telas reduz o interesse por brincadeiras com pares, praia ou ciclismo, atividades fundamentais para socialização e desenvolvimento motor.
Os autores sugerem que menos tempo de tela e mais interação humana favorecem habilidades motoras, sociais e sensoriais. O isolamento tecnológico pode afetar áreas cerebrais associadas à linguagem, como a área de Broca, cuja ativação precoce é crucial para o desenvolvimento linguístico.
O estudo também traz implicações práticas: manter as crianças longe das telas não é simples, mas é possível com planejamento. O uso excessivo está ligado a riscos de obesidade infantil, além de reduzir a atividade física e aumentar o consumo de comida durante o uso de dispositivos.
Especialistas ressaltam que a infância é um momento crítico para aprender idiomas, música e artes. A exposição infantil a estímulos variados fortalece bases neurais que facilitam o aprendizado futuro em várias áreas, segundo os pesquisadores.
Para os pais, o texto recomenda estratégias como aumentar o tempo de interação social das crianças e reduzir gradualmente a dependência de telas. Em caso de resistência inicial, o debate sobre mudanças deve seguir com planejamento e apoio de familiares ou de profissionais quando necessário.
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