Foi entrevistado por três pessoas na semana passada, uma quebra de padrão para o autor que costuma ser quem faz as perguntas. O material ficou em dois documentos e um podcast, com a participação do empresário Sidney Ângulo no episódio. A experiência de responder, segundo ele, ajudou a entender melhor o ponto de vista dos entrevistados.
O jornalista descreve a sensação de estar do outro lado do balcão como um exercício de empatia e de percepção de nuances. Ele diz que, quando é o entrevistador, a mente trabalha em duas frentes: ouvir com atenção e planejar a próxima pergunta, ajustando-a ao ritmo da conversa. A prática sem roteiro é mantida no programa da BM&C News, com três convidados por edição.
Para esse repórter, a construção da entrevista é tão relevante quanto o conteúdo. A prática exige saber quando aprofundar, sem perder o foco no entrevistado. A experiência acumulada em economia e negócios sustenta a dinâmica, mesmo sem roteiro prévio.
Referências de estilo
O texto destaca dois jornalistas que influenciam o estilo de perguntas: David Frost e James Lipton. Frost é lembrado pela capacidade de manter o equilíbrio entre preparo, elegância e firmeza, abrindo espaço para que o interlocutor revele detalhes relevantes. Lipton, por sua vez, era conhecido por perguntas longas e contexto biográfico, criando atmosfera de introspecção.
O autor compara o tom sereno de Frost à estrutura de Lipton, que privilegiava uma atmosfera de acolhimento. Segundo ele, o objetivo era facilitar a revelação de memórias, processos criativos e fragilidades, sem agressividade na abordagem. O estilo procurado busca confiança e profundidade na conversa.
O texto reforça uma crítica aos entrevistadores agressivos, considerados menos eficazes. Em diálogo recente com amigos, o entrevistador comenta que sua voz calma pode favorecer a transparência, embora reconheça que essa impressão nem sempre corresponde à prática. A ideia central é explorar perguntas bem fundamentadas dentro de uma abordagem respeitosa.
Entre na conversa da comunidade