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Jovem relata vida após ataque de tubarão que deixou de cabeça para baixo

Três anos após ataque de tubarão, jovem paratleta ainda aguarda prótese prometida pelo governo de Pernambuco, enfrentando sequelas físicas e emocionais

Arte gráfica colorida - Metrópoles
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O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de ataques não provocados de tubarão, com o litoral de Pernambuco concentrando a maioria dos casos. Nos últimos incidentes, duas jovens foram vítimas no município de Jaboatão dos Guararapes e no Recife. Três anos após o ataque, Kaylanne Timóteo Freitas ainda convive com sequelas físicas e emocionais.

Aos 15 anos, Kaylanne perdeu parte do braço esquerdo após ser atacada por tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão, durante o feriado da Data Magna de Pernambuco. Hoje, com 19 anos, ela sofre com dores, limitações físicas e marcas emocionais do episódio. Ela recorda o dia 6 de março de 2023 com detalhamento intenso.

A jovem ficou internada por uma semana no Hospital da Restauração, no Recife. O atendimento multiprofissional prometido na época foi restrito ao período hospitalar, segundo Kaylanne. Ela aguarda até hoje uma prótese funcional, prometida pelo governo estadual no dia do ataque.

Hoje Kaylanne ainda depende de recursos para viver com autonomia. Ela afirma que a prótese funcional ajudaria a recuperar grande parte das atividades diárias e da independência, estima em torno de 60% da vida antes da amputação.

O que explica os ataques em Pernambuco?

Especialistas apontam fatores como a presença do Porto de Suape, com mudanças ambientais que aproximam tubarões da costa, canais profundos e áreas externas aos arrecifes, bem como urbanização da orla e espécies de maior risco, como tubarão-tigre e tubarão-cabeça-chata. Condições de maré alta, água turva e proximidade de rios também elevam o risco. Além disso, mudanças climáticas e comportamento humano contribuem para maior exposição.

Adoecimento mental

O período de recuperação envolve dificuldades como insônia e pesadelos recorrentes com o ataque. A psicóloga Amanda Patrícia Sales destaca que o sistema de saúde público ainda enfrenta desafios para acompanhar sobreviventes a longo prazo, com falta de suporte psicológico após a alta hospitalar. Transtornos como TEA, TEPT, depressão e pânico costumam acompanhar esse tipo de trauma.

Julgamento público e a culpa

Kaylanne relata críticas nas redes sociais após o ataque, com acusações de que teria entrado no mar intencionalmente. Especialistas ressaltam que sobreviventes enfrentam culpa e necessidade de acolhimento, em vez de julgamento, diante de um evento traumático de alta complexidade psicológica.

Kaylanne também descreve como o apoio de uma psicóloga voluntária ajudou na recuperação emocional, destacando a importância de acompanhamento contínuo para lidar com traumas.

Casos recentes e números

Kaylanne figura entre 84 casos registrados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões desde 1991. Dois desfechos recentes também chamam atenção: João Lucas Nemézio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima Santo, de 19, foram as últimas vítimas, correspondentes aos 83º e 84º registros. João Lucas sofreu amputação de parte da perna esquerda após ataque na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Marcela Vitória sofreu mordida de tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, na zona sul do Recife, com lesões graves na perna direita e amputação do membro. O total de casos evidencia a persistência do risco na região. A Defensoria e órgãos de saúde acompanham as providências e ações de prevenção.

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