Luciano Hang, empresário conhecido como Véio da Havan, causou repercussão ao afirmar que as universidades federais seriam responsáveis pelo atraso do Rio Grande do Sul. O comentário ocorreu durante a inauguração de uma megaloja da Havan em Taquara, no Rio Grande do Sul, no dia 30 de maio. A fala gerou críticas de governo, entidades estudantis e representantes do ensino superior.
Segundo Hang, as federais funcionariam como guetos da esquerda e ajudariam a manter o atraso do estado. Ele afirmou que as instituições formariam pessoas com ideias que, na visão dele, não contribuiriam para o desenvolvimento econômico e social gaúcho. O evento reuniu autoridades locais e empresários.
Reações oficiais
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, rebateu as críticas, destacando o papel das federais no desenvolvimento nacional. Ela ressaltou que o acesso público ao ensino superior representa investimento no futuro e citou vagas do Sisu 2026 oferecidas pelas federais no Rio Grande do Sul.
A ministra informou que as federais gaúchas abriram 12.470 vagas no Sisu 2026, assegurando educação pública gratuita para milhares de jovens. Ela afirmou que universidades públicas são base para a inovação no país.
Reações estudantis e docentes
Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes, criticou as declarações do empresário, afirmando que as universidades públicas são instrumentos de desenvolvimento e redução de desigualdades. Entidades docentes também se manifestaram contra as falas de Hang.
A Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria divulgou nota de repúdio às declarações, afirmando que não tolerará ataques que disseminam desinformação para ganhos políticos e prejudiquem as instituições públicas.
Histórico de declarações de Hang
As críticas às federais não são inéditas. Em 2019, Hang visitou Santa Maria e questionou a atuação da UFSM, sugerindo que a instituição gastava recursos com docentes de esquerda para doutrinação ideológica. A UFSM repudiou as declarações.
Desdobramentos judiciais
Em 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação de Hang por danos morais contra o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel. O processo envolveu uma publicação do empresário em redes sociais com acusações ao reitor.
A decisão determinou o pagamento de indenização de 5 mil reais, reconhecendo violação à honra do reitor. O caso foi citado como precedente de limites à liberdade de expressão em posts públicos.
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