O jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo ocorre neste sábado no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A escolha do estádio coincide com o maior reduto de imigrantes brasileiros nos EUA, uma comunidade estabelecida há décadas na região.
Nova Jersey abriga entre 55 mil e 60 mil brasileiros, segundo estudos do Migration Policy Institute. Contam com comércio típico, como empórios, churrascarias e salões de beleza, além de uma presença forte em Newark e arredores.
A cidade de Newark, com cerca de 325 mil habitantes, é destaque na diáspora. Em áreas próximas, é comum ouvir português nas ruas, enquanto lojas e mercados vendem produtos brasileiros a preços variados.
Entre os espaços de comércio, Verinha, de 62 anos, administra uma loja de mega hair e brechó. Ela diz que muitos clientes preferem falar português para facilitar o dia a dia e que o idioma ajuda na relação com a clientela.
Dados oficiais apontam discrepâncias: pesquisas indicam cerca de 200 mil brasileiros em Nova Jersey, números que variam conforme fontes consulares. A comunidade se concentra na Costa Leste, com presença expressiva na região metropolitana de Nova York.
O entorno da Copa revela desafios frequentes para imigrantes. Medidas de segurança migratória elevam o temor de deslocamentos, e alguns brasileiros mudam horários de trabalho para evitar ações de fiscalização.
José Moreira, proprietário de restaurantes na região, observa público diversificado: cerca de 35% brasileiros, 30% americanos e o restante de latino-americanos. Ele aponta queda de 20% no lucro associada à nova dinâmica migratória.
Comunidades locais destacam que a Copa não é celebrada plenamente. Grupos de imigrantes e organizações sociais vêm acompanhando o impacto da política migratória, com protestos próximos à prisão de imigrantes em Nova Jersey.
Rodrigo de Godoi, presidente da Mantena, ONG que atua com brasileiros migrantes, afirma que a Copa ainda não traz a alegria esperada. Ele ressalta dificuldades para negócios e famílias que se mantêm escondidas.
A cobertura aponta ainda a presença de detidos na prisão Delaney Hall, onde 20 a 30 brasileiros costumam ficar detidos semanalmente por questões migratórias. A comunidade acompanha os desdobramentos com preocupação.
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