Encerrada na USP, a greve dos estudantes continua em outras universidades estaduais de São Paulo. O movimento reúne pautas como permanência estudantil, moradia, reajuste de bolsas e financiamento, além de propostas de cotas para pessoas trans e mais contratações de docentes e técnicos.
Na Unicamp, greve desde 18 de maio escalou na noite de segunda-feira. Em assembleia, estudantes ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração, órgão que centraliza decisões administrativas. A reitoria afirmou que não há negociação enquanto a paralisação durar.
O Diretório Central dos Estudantes acusou a reitoria de tentar impor encerramento sem formalizar propostas das mesas de negociação. A ocupação foi desocupada na mesma noite, e a reitoria condicionou a retomada das negociações à proteção dos espaços públicos.
A Unicamp divulgou que comprou um terreno de 44 mil m² no Barão Geraldo, com investimento de 20 milhões de reais, para ampliar o programa de moradia estudantil. Em 2023, a universidade havia assinado carta-compromisso sobre moradia em Limeira, mas o grupo de trabalho nunca foi instalado.
Na Unesp, a paralisação ganhou força após decisão da reitoria. Em 29 de maio, a reitora suspendeu temporariamente a homologação de concursos para docentes, pesquisadores e técnicos administrativos. A medida vale até 25 de outubro e congela 150 vagas de docentes e 100 de servidores previstos para 2026.
A Unesp justifica a suspensão pela queda na arrecadação do ICMS, principal fonte de recursos. A Associação dos Docentes afirma que o orçamento já prevê os recursos para as contratações pendentes. Os estudantes seguem protestando em busca de investimentos.
Nesta quarta-feira, alunos de os 24 campi da Unesp estiveram em manifestação na praça da República, em São Paulo. O orçamento de 2026 prevê déficit de 189 milhões de reais, financiado por superávit acumulado, com a transição do ICMS para o IBS entre 2026 e 2033, tema de preocupação entre as três universidades.
O governo de Tarcísio de Freitas, pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, informou ter repassado 64,3 bilhões de reais às universidades desde 2023, 28,9% a mais que nos quatro anos anteriores, mantendo os repasses conforme a lei.
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