David Hockney, figura central da arte britânica, faleceu aos 88 anos. Sua obra A Bigger Splash, de 1967, ganha novo peso após a morte do artista, ao ser vista como reflexão sobre presença e ausência.
Criada três anos após a mudança de Hockney de Londres para Los Angeles, a pintura em acrílico é reconhecida pela fusão entre fotografia e desenho. A obra mescla referências de frescos antigos com a linguagem da Pop Art e da cultura contemporânea.
Antes da mudança para os EUA, o artista viajou ao Egito, onde estudou arte tombada. Lá, estudou relevos e figuras estilizadas, que influenciaram o desenvolvimento de A Bigger Splash ao serem combinados a pigmentos frios e à clareza de composições.
Ao retornar aos Estados Unidos, a influência de mestres antigos se cruzou com a corrente da época, a Pop Art americana. A obra resultante questiona o tempo de uma imagem, unindo técnica fotográfica a uma narrativa pictórica arrojada.
A origem imediata de A Bigger Splash veio de um manual técnico sobre construção de piscinas. Uma foto de um mergulhador, retirada de Swimming Pools, de 1959, serviu de base, ao lado de uma representação do fundo arquitetônico que Hockney já desenhava.
O que parece um retrato de um instante foi, na prática, uma síntese de experiências pessoais e emprestadas. A obra tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da história da arte, evidenciando o poder da pintura frente à passagem do tempo.
Nos anos seguintes, Hockney ampliou a experimentação com a relação entre técnica e pintura, explorando fotomontagens, desenhos em iPad e novas perspectivas. O conjunto de trabalhos reforçou a ideia de que a arte pode preservar traços de uma presença que se esvai.
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