Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, identificado pela imprensa internacional como “Don” ou “Dom”, não é considerado pelas autoridades brasileiras como líder ou integrante relevante de facções criminosas no Brasil. Em relatório conjunto obtido pelo g1 e pela GloboNews, PF, Ministérios Públicos de SP e RJ, e as polícias civis disseram não reconhecer o investigado como quem ocupe posição de comando no PCC ou no CV. Dell Aquilla tem, ao todo, uma condenação de nove anos e sete meses de prisão por extorsão no Brasil.
Os investigadores não encontraram registro de vinculação formal dele a facções no território nacional. Em São Paulo, não houve nenhuma pista de que Dell Aquilla integrasse o PCC ou fosse faccionado, nem entrada em penitenciárias paulistas. A apuração aponta ainda que o réu atua no ramo do entretenimento e já teve ligação com uma produtora musical alvo de investigação por lavagem de dinheiro.
Golpe em Campos do Jordão
Dell Aquilla é réu em processo envolvendo golpe contra o Hotel Botanique, em Campos do Jordão, em 2018. Segundo a denúncia, ele pagou duas diárias para um casal, pediu reembolso à operadora de cartão e tentou encobrir a reserva, alegando não reconhecê-la. O hotel afirmou que o réu esteve hospedado sob o veículo de sua titularidade e utilizou o mesmo cartão.
A defesa do estabelecimento sustenta que Dell Aquilla foi quem ocupou o quarto, conforme registro do carro BMW usado na data. Desde 2018, a polícia e a Justiça tentam localizá-lo, e ele responde ao processo à revelia. O caso também envolve histórico de agressão a uma ex-namorada e disputas relativas à devolução de imóvel.
Prisão nos Estados Unidos
De acordo com o ICE, Dell Aquilla foi capturado após perseguição na Carolina do Norte. O órgão informou que havia ordem de captura internacional expedida pelo Brasil por associação criminosa e extorsão. Em Mooresville, o suspeito tentou fugir em veículo com a esposa retida como refém; o carro se envolveu em acidente durante a abordagem.
Durante a operação, agentes apreenderam arma de fogo, dinheiro e celulares. Recursos brasileiros acompanham a apuração das circunstâncias, incluindo o possível vínculo financeiro com membros do PCC e do CV, conforme investigações. As autoridades brasileiras não confirmam liderança ou participação relevante nas facções.
Contexto internacional
Em 28 de maio, os EUA incluíram PCC e CV na lista de organizações terroristas, contrariando oposição brasileira. Em 2025, o governo brasileiro havia sido convidado a classificar as facções como terroristas, pedido que não prosperou. A definição legal de terrorismo no Brasil, adotada em 2016, exige atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito.
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