A torre LUMA Arles, no sul da França, ganhou destaque ao usar mais de 4 mil painéis de sal em seu interior. O projeto é assinado pelo arquiteto canadense Frank Gehry, em parceria com a plataforma Materially. A obra explora uma aplicação inusitada do sal local.
O processo consistiu em imergir estruturas metálicas em áreas salinas por cerca de duas semanas. Cristais de sal formaram-se ao longo do tempo, com textura, tonalidade e padrões únicos. As condições climáticas definem o resultado de cada painel, conectando o edifício à paisagem.
Os painéis são instalados nas áreas dos elevadores de nove dos 12 andares. Eles servem apenas como acabamento visual, não substituem concreto, aço, vigas ou pilares nem agregam função estrutural.
Essa abordagem evidencia uma tendência da arquitetura contemporânea: valorizar recursos locais. Ao invés de depender exclusivamente de materiais industriais, o projeto destaca elementos da região para criar identidade e inovação.
O uso do sal, comum como desafio na construção, é mostrado aqui sob nova perspectiva. Em ambientes litorâneos, a salinidade pode acelerar a corrosão, elevando custos de manutenção. O caso francês não recomenda uso indiscriminado do material.
O que se verifica é que, com pesquisa e controle técnico, um elemento problemático pode ganhar função estética. Mercados com salinidade elevada podem extrair lições da experiência para aplicações locais.
Contexto da região de Camargue
A Camargue fica no delta do Ródano, entre dois braços do rio e o Mar Mediterrâneo. A região abriga lagoas, pântanos e dunas, além de belas paisagens que influenciam a identidade local.
O espaço é conhecido pela fauna diversificada, incluindo flamingos e cavalos brancos. Tradicionalmente, a sal também desempenha papel econômico relevante, com salinas próximas a Aigues-Mortes.
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