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A história das sacadas no Brasil e seu impacto na fachada das cidades

Da privacidade das urupemas à ostentação dos gradis de ferro, sacadas passaram a simbolizar modernização urbana e status social na era colonial

Prévia à chegada da Coroa portuguesa ao Brasil, no século XVI, as fachadas de residências brasileiras não tinham a mesma 'cara' que conhecemos
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Ao longo dos séculos XVIII e XIX, as sacadas de ferro passaram a marcar as fachadas brasileiras, substituindo treliças de madeira. Em Ouro Preto e Olinda, destacam-se gradis que se tornaram símbolos de elegância e prestígio urbano.

Antes da chegada da Corte portuguesa, as janelas eram protegidas por urupemas, estruturas de madeira que permitiam ver sem ser visto. A função era controlar a privacidade, ventilação e luz, em um contexto de rígidez entre espaço público e privado.

As gelosias, de lâminas inclinadas, também permitiam circulação de ar e entrada de luz com privacidade. Muxarabis, com desenhos geométricos vazados, vinham da tradição islâmica e chegaram ao Brasil por meio dos portugueses.

A transição para o ferro e o que mudou

O uso do ferro ganhou força no século XIX como símbolo de modernidade industrial. Inicialmente importado da Europa, ele passou a demonstrar refinamento técnico e prosperidade econômica. As sacadas passaram a expressar visibilidade social.

A transformação ganhou impulso com a chegada da família real em 1808. Em 1809 houve decreto que determina a retirada de gelosias e muxarabis, com prazo para substituição por balcões e gradis de ferro inspirados na arquitetura europeia.

Os gradis não foram apenas decorativos. Eles melhoraram ventilação e iluminação interna, ao mesmo tempo em que criaram um espaço entre casa e rua. Para moradores de classes altas, representaram status e proximidade com padrões europeus.

Hoje, sacadas com balaústre são comuns em cidades históricas, mantendo a função de referência da arquitetura colonial. Por trás dos desenhos em ferro, guardam uma história de vigilância, modernização urbana e mudanças de habitar no Brasil.

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