A exposição Afríquia: o Artista Como Colecionador fica no Museu Afro Brasil e reúne mais de 200 itens entre esculturas, máscaras e fotografias de várias culturas africanas. A curadoria privilegia o olhar do fundador da instituição, Emanoel Araujo, que comandou o museu até sua morte em 2022. A mostra fica em cartaz até 13 de setembro.
Desenvolvida pela curadora Gabrielle Nascimento, a mostra não segue a organização tradicional por tempo ou etnografia. Em vez disso, privilegia a trajetória de Araujo, cujas escolhas moldaram o acervo e a leitura da coleção. A exposição destaca a série de xilogravuras Afríquia, que deu título ao conjunto.
A seleção reúne peças de origem diversificada, com foco na Nigéria e no Benim, e mantém a matriz iorubá como fio condutor. Os núcleos apresentados incluem esculturas, máscaras, fotografias, tecidos, discos e livros. Um mapa na entrada aponta as origens geográficas das obras.
Peças-chave e percurso museológico
Entre as obras, a primeira chave de leitura é Relevo, de Araujo, com referências aos orixás e à reinterpretação da África na produção do artista. Fotografias de viagens orientam o entendimento da construção da coleção ao longo do tempo.
No espaço dedicado aos Ibejis, aparecem quatro esculturas ligadas ao culto iorubá dos gêmeos, vistos como bênção. Máscaras integram o conjunto, destacando Gueledé, Egungun e Mapiko, este último ligado a rituais do povo maconde, em Moçambique. Mapiko é a peça mais antiga do acervo, exibida pela primeira vez antes da fundação da instituição.
Informações práticas
A exposição está instalada no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, portão 10. Permanece aberta de terça a domingo, das 10h às 17h. Ingressos custam 15 reais, com valor inteiro. A curadoria enfatiza que a mostra oferece uma leitura que amplia contextos e aborda a arte africana sem filtros coloniais, buscando maior diversidade de perspectivas.
Entre na conversa da comunidade